Desconfiança no STF atinge 43%, maior que em Cortes de EUA e Alemanha
Dados do Datafolha, divulgados no início do mês, indicam que 43% dos entrevistados afirmam não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF), o maior percentual desde o início da série histórica em 2012.
A desconfiança em relação à Corte brasileira não apenas atingiu um nível recorde, mas também supera as taxas observadas em cortes judiciais de países como Estados Unidos e Alemanha, que implementaram códigos de conduta para seus magistrados. Fatores como a transmissão ao vivo das sessões e escândalos recentes, especialmente o caso Banco Master, contribuem para essa percepção negativa e ressaltam a urgência de medidas para recuperar a credibilidade da instituição.
O aumento da desconfiança é especialmente significativo em meio aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master. Este levantamento do GLOBO, baseado em pesquisas de opinião em democracias estáveis, revela que a desconfiança da população brasileira em relação ao STF é mais intensa do que a observada em tribunais com funções semelhantes ao redor do mundo. Em comparação a tribunais de países como Reino Unido e Portugal, a percepção negativa do STF é ainda mais grave, embora níveis semelhantes de desconfiança sejam relatados na Índia e em comparação com a Bolívia e o Chile.
Conforme os dados do Datafolha, o percentual de 43% é alarmante. Outro levantamento da Genial/Quaest revelou que 49% dos brasileiros não confiam no tribunal, o que representa o maior índice de desconfiança desde 2022. O STF, procurado para comentar os resultados, não se manifestou.
A desconfiança em relação à Corte brasileira ultrapassa a das cortes dos Estados Unidos e da Alemanha. Nos EUA, segundo pesquisa da NBC News, 38% da população não confia nas decisões da Suprema Corte, enquanto 62% expressam algum nível de confiança. Na Alemanha, um estudo difundido pelo instituto Allensbach aponta que 63% dos entrevistados confiam em seu Tribunal Constitucional Federal, em contraste com os 43% e 44% de desconfiança nos Judiciários do Reino Unido e Portugal, respectivamente.
De acordo com especialistas, a descrição da credibilidade das cortes é frequentemente impactada por ataques políticos e por seus próprios critérios de funcionamento. Um aspecto notável é a forma como as deliberações dos magistrados são expostas. Nos Estados Unidos, por exemplo, é proibido fazer registro em vídeo ou imagem das sessões, e as decisões são divulgadas por escrito, detalhando os votos da maioria e de dissidentes. Já no Brasil, a transmissão das sessões ao vivo pela TV Justiça, inicialmente vista como um meio de garantir transparência, agora é percebida como um fator que contribui para a percepção negativa sobre os juízes, de acordo com o professor e pesquisador de Direito Luís Fernando Esteves, do Insper.