Fraude envolvendo vistos gold em Portugal resulta em R$ 9 milhões recuperados
Um esquema fraudulento relacionado aos vistos gold em Portugal culminou na recuperação de R$ 9 milhões, em uma operação que revelou um verdadeiro golpe imobiliário. O esquema operava à margem da lei, oferecendo a venda de imóveis a preços muito abaixo do mercado a estrangeiros, principalmente oriundos da China, em troca de autorizações de residência.
Os imóveis, uma vez vendidos, eram revendidos sem o consentimento dos compradores que, em sua maioria, estavam apenas interessados em obter o visto. A Polícia Judiciária de Portugal identificou a fraude durante a operação conhecida como "Chave Dourada", que resultou na prisão de oito cidadãos portugueses. Esses indivíduos formavam uma rede criminosa dedicada à venda fraudulenta de propriedades e estavam envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
As investigações indicam que as vendas de imóveis eram realizadas a preços muito inferiores aos praticados na região, com o objetivo de atrair compradores. Apesar das promessas de legalidade, as vítimas – essencialmente a comunidade estrangeira que buscava um novo lar em Portugal – acabaram sendo lesadas. Muitos compradores adquiriram propriedades sem a intenção de residir nelas e, portanto, não perceberam que seus imóveis estavam sendo vendidos novamente por golpistas.
Os documentos da Polícia Judiciária apontam que os crimes foram descobertos após queixas feitas por estrangeiros, que relataram que suas casas, adquiridas sob a falsa premissa da legalidade, estavam sendo transacionadas sem seu consentimento. “As casas que haviam adquirido, mas não habitadas por residirem no estrangeiro, foram fraudulentamente vendidas em seu suposto nome e sem o seu consentimento”, revelou um porta-voz da PJ.
A investigação revelou a recuperação de € 1,5 milhão (equivalente a R$ 9 milhões) das contas bancárias dos golpistas, além da apreensão de diversos imóveis que foram utilizados na operação ilegal. No auge do programa de vistos gold em Portugal, o investimento mínimo em imóveis para obter a autorização de residência chegava a € 500 mil, o que naquela época equivalia a cerca de R$ 3 milhões.
Após um período de controvérsias e suspeitas sobre a origem dos fundos utilizados, o programa de vistos gold foi encerrado para transações no setor imobiliário, embora ainda permaneça ativo em outras categorias de investimentos.