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Inflação Descontrolada e Protestos Marcam a Economia da Venezuela

Por Autor Redação TNRedação TN
27/03/2026 17h35

Venezuela lida com paralisia econômica e inflação.. Reprodução: Elpais

Inflação Descontrolada e Protestos Marcam a Economia da Venezuela

A Venezuela vive uma crise econômica prolongada, marcada pela paralisia e inflação altíssima. Apesar da flexibilização das sanções dos Estados Unidos para impulsionar o setor petrolífero, a tão esperada recuperação econômica ainda não se materializou.

As ruas de Caracas foram tomadas por manifestantes no dia 23 de março que exigem salários mais altos. “Estamos reclamando um direito humano básico, uma obrigação constitucional do Governo: a melhora geral das condições de vida da população”, afirma Gregorio Alfonso, membro da Associação de Professores da Universidade Central da Venezuela.

A inflação anualizada da Venezuela, que é a mais alta do mundo, ultrapassa 600%. O bolívar, a moeda local, tem sofrido uma constante depreciação, perdendo cerca de 20% de seu valor apenas este ano. Em janeiro, o dólar oficial era cotado a 367 bolívares; hoje, já alcança 450, enquanto o chamado "dólar paralelo", que influencia fortemente a formação dos preços, pode chegar a 650 bolívares.

O governo enfrenta um déficit fiscal de 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso ocorre mesmo com os ingresos adicionais que surgiram após as flexibilizações das sanções e novas licenças de exploração de petróleo. A diferença entre o dólar oficial e o dólar negro continua a dificultar uma recuperação verdadeira da economia.

Os relatos de comerciantes e trabalhadores são alarmantes. José Abreu, um imigrante português de 78 anos, compartilha sua frustração: “Jamais havia visto uma situação como esta em todo o tempo que tenho em Venezuela.” Ele destaca que a cada dia, os preços aumentam enquanto ele tenta equilibrar seu negócio em um ambiente econômico caótico.

A precariedade salarial persiste, com o salário mínimo oficial fixado em apenas 160 bolívares, que equivalem a poucos centavos de dólar. O governo tenta compensar oferecendo bônus que, na prática, não ajudam nas prestações sociais dos trabalhadores. Um trabalhador no setor privado pode ganhar, em média, de 350 a 1.200 dólares, dependendo do cargo. Contudo, as dificuldades financeiras permanecem, e muitos estão se virando com dois ou três empregos.

O economista Víctor Álvarez aponta que a dependência da Venezuela em relação aos Estados Unidos limita a capacidade de formular políticas econômicas autônomas. “O Estado tem grande potencial para financiar políticas sociais, mas a ordem executiva proíbe o uso dos recursos do petróleo venezuelano para qualquer outra finalidade além da compra de produtos americanos”, explica ele.

Enquanto isso, as expectativas entre os cidadãos são altas quanto a um possível aumento do salário mínimo, especialmente com o aumento da produção de petróleo. A venda de petróleo nacional sem descontos pode trazer uma leve melhora à economia local. Contudo, Ivan Monteverde, empresário do setor da construção, se mostra cético: "Parece que vem uma reativação em um par de meses, mas neste momento a situação é de uma enorme paralisia. Agora está até pior do que em dezembro de 2025".

Com a população ansiosa por melhores condições de vida, as manifestações devem continuar a ser uma reação ao desafio econômico persistente que a Venezuela enfrenta. As agitações na economia e as frustrações sociais estão longe de um desfecho, e o futuro permanece incerto para muitos venezuelanos.

Tags: Inflação Venezuela, Crise Econômica 2026, Protestos Salariais, Economia Internacional, Condições de Vida
Fonte: elpais.com

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