Madalena Torres: Referência em Alfabetização e Educação Popular
No mês da mulher e em um momento especial de celebração em Ceilândia, conheça a história de Madalena Torres, uma educadora popular que dedicou sua vida à alfabetização. Com uma trajetória inspiradora, essa professora tem ajudado a transformar vidas de milhares de pessoas no Distrito Federal.
Madalena, de 62 anos, é um símbolo da educação em Ceilândia, onde alfabetizou cerca de 16 mil pessoas. Nascida em Divinópolis de Goiás e com apenas 8 anos chegou a Ceilândia, uma cidade recém-fundada e que tinha apenas oito meses de existência. Sua vida é marcada por desafios, incluindo uma batalha contra o câncer de mama em 2008, mas mesmo após o tratamento intenso, nunca deixou de acreditar na importância da educação.
A formação acadêmica de Madalena inclui graduação em filosofia e um mestrado em tecnologia da educação, com uma carreira que se estende por várias instituições de ensino, como o Centro de Ensino Especial de Brazlândia e a Escola Classe 19 em Ceilândia. Seu amor pela educação é evidente desde cedo, e ao lecionar, ela passou a se dedicar à educação popular no Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia, após se aposentar por invalidez em 2010.
Centro de Educação Paulo Freire (Cepafre)
O Cepafre, fundado em 1989, é um pilar na educação popular, já tendo alfabetizado milhares de pessoas e formado grupos de educadores em diversas cidades do DF. Recentemente, Madalena enfrentou mais um desafio de saúde, uma retinopatia diabética que causou perda temporária da visão. Contudo, sua determinação a levou de volta à educação, agora formando novos alfabetizadores.
Para Madalena, educar vai além da sala de aula. Ela utiliza o cinema como ferramenta de alfabetização e formação profissional, uma estratégia inspirada em Paulo Freire. "Nós realizamos um projeto 'Cinema como Linguagem' na alfabetização de jovens e adultos, onde se alfabetiza, se ensina a fotografar e filmar. Eles lidam com a inclusão digital, trabalhando com o celular," explica a professora.
Há muito tempo, Madalena é citada como uma figura importante nas discussões sobre racismo e educação. Em uma de suas falas, que ecoa as ideias de Paulo Freire, ela relata um episódio de preconceito enfrentado em sua carreira e a luta contra essa ideologia distorcida. A vida e a atuação de Madalena são não apenas uma parte fundamental da história de Ceilândia, mas também uma representação das lutas diárias das mulheres negras na educação.
"Me torno tão falso quanto quem pretende estimular o clima democrático na escola por meios ecaminhos autoritários. Tão fingido quanto quem diz combater o racismo mas, perguntado se conhece Madalena, diz: 'Conheço-a. É negra mas é competente e decente.' Jamais ouvi ninguém dizer que conhece Célia, que ela é loura, de olhos azuis, mas é competente e decente."
A história de Madalena representa a força e a resistência da comunidade de Ceilândia, uma cidade que, assim como a educadora, é símbolo de transformação e esperança. Sua dedicação à educação popular e à luta contra o preconceito continua a inspirar aqueles que acreditam que a alfabetização é uma ferramenta poderosa de mudança social.