Conselho do São Paulo Rejeita Balanço Financeiro pela Segunda Vez
Pela segunda vez, o Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube reprovou o balanço financeiro referente ao ano de 2025. Na votação ocorrida na noite desta sexta-feira, os conselheiros se mostram contrários aos números apresentados, com 210 votos contra, 24 a favor e três abstenções. Essa decisão chega após a primeira reprovação que ocorreu em sessão encerrada na quinta-feira, a qual foi anulada devido a um erro técnico da empresa responsável pela condução do pleito.
A empresa Tafner admitiu a falha na execução, que impediu a identificação dos votantes durante a primeira votação, o que estava em desacordo com o edital do processo.
Comparando com a sessão anterior, onde 194 conselheiros votaram contra e 34 a favor, nesta nova votação os números mostraram uma rejeição ainda mais contundente, reflexo da identificação clara dos conselheiros.
O balanço financeiro apresentado, que apontou um superávit de R$ 56 milhões, foi questionado principalmente por conta de saques suspeitos feitos pelo ex-presidente Julio Casares. Um relatório, que foi revelado pelo portal Uol e confirmado pelo site ge, aponta que Casares, que renunciou ao cargo no início deste ano após um processo de impeachment, retirou R$ 11 milhões durante sua gestão, sendo que apenas R$ 4 milhões possuem justificativas adequadas. Os demais R$ 6.953.000, que foram classificados como despesas promocionais, não têm explicações ou comprovações de gastos apresentadas na auditoria.
Com a reprovação do balanço, a gestão tem a opção de solicitar que a documentação faltante seja remetida para que o relatório seja revisado. Uma parte do Conselho acredita que a situação de Julio Casares poderá resultar em pedidos de exclusão de seu nome junto à Comissão de Ética do clube. Caso as justificativas para os saques não sejam apresentadas, o clube poderá ainda solicitar um ressarcimento.
Na quinta-feira, Julio Casares enviou uma nota à imprensa defendendo sua posição. Em sua defesa, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragini, ele afirmou que o montante discutido de R$ 7 milhões, mencionado durante a reunião do Conselho Deliberativo no dia 25 de março de 2026, nunca foi solicitado, utilizado ou destinado por ele. Casares assegurou que esses valores constam nos registros contábeis do clube e foram designados pela Diretoria Financeira e Contabilidade para cobrir despesas de pelo menos 172 jogos do São Paulo em diversas competições.
O ex-presidente ainda enfatizou que não existem registros contábeis que indiquem que valores foram especificamente disponibilizados à presidência do clube. Ele ressaltou que o numerário circulou pela conta contábil do São Paulo sob a rubrica de "ações promocionais" e que essa movimentação já foi apresentada às autoridades competentes anteriormente.
Por fim, Casares expressou estranheza em relação às alegações de que o balanço teria sido previamente aprovado pelos Conselhos de Administração e Fiscal, ressaltando o registro do superávit de R$ 56 milhões, a redução da dívida em R$ 110 milhões e o faturamento recorde do clube, que alcançou R$ 1 bilhão.