A coudelaria, localizada em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, se destaca como a única do Brasil dedicada à criação de cavalos para o Exército Brasileiro. Fundada em 1922, a Coudelaria e Campo de Instrução de Rincão é reconhecida pela excelência genética e pela formação de animais altamente qualificados para cerimoniais, patrulhas e competições.
Com uma vasta área que abrange mais de 15 mil hectares, a coudelaria abriga aproximadamente 900 animais. O foco na seleção genética rigorosa garante que os cavalos tenham as características ideais para suas funções em serviço, como força, saúde, resistência e bom temperamento. "Fazemos uma seleção genética para que eles sejam fortes, saudáveis, resistentes, tenham menos problemas ortopédicos e bom temperamento", explica o tenente Lucas Melantonio, chefe da Seção Técnica da Coudelaria.
Anualmente, a coudelaria fornece cerca de 150 cavalos ao Exército e a outras forças de segurança. Além disso, a unidade mantém um intercâmbio de material genético com países vizinhos, como Argentina e Uruguai, ampliando as oportunidades de aperfeiçoamento racial.
Um dos exemplares mais notáveis da coudelaria é o Escudeiro do Rincão, que se destacou nas Olimpíadas de Pequim em 2008. Montado pelo tenente Jeferson Sgnaolin, o cavalo fez história ao conseguir o melhor desempenho do Brasil na história da prova de adestramento olímpico. O sonho era que Escudeiro competisse também nas Olimpíadas de Londres 2012 e Rio 2016, mas uma lesão o impediu.
"Ele já tinha conquistado dois mundiais militares e a Olimpíada, por esse motivo eu o aposentei das provas, mas ele ficou comigo até a morte. Foram 19 anos de convívio. Tenho muita gratidão e reconhecimento por ele ter participado de um sonho comigo", relembra o tenente.
A coudelaria de São Borja, com sua destacada atuação no fortalecimento das Forças Armadas do Brasil e na promoção de competições internacionais de hipismo, se estabelece como um patrimônio de valor cultural e histórico para o país.