Implicações do colapso econômico em Cuba: Análise de Alejandro de la Fuente
O historiador Alejandro de la Fuente, diretor do Programa de Cuba da Universidade de Harvard, analisa a atual crise que aflige a ilha caribenha. Com constante escassez de alimentos, apagões e migração em massa, muitos se perguntam se o regime cubano conseguirá se sustentar em meio a este colapso.
A situação de Cuba em 2023, no 67º aniversário da Revolução, é marcada por uma série de crises interligadas. De acordo com De la Fuente, o colapso da economia cubana não começou com as novas sanções americanas, mas sim, resultou da má gestão interna. “O colapso começou talvez por volta de 2020 ou 2021. Nos últimos cinco ou seis anos, o governo cubano demonstrou incapacidade de enfrentar os desafios da nação”, afirma.
As protestas de julho de 2021 foram um marco na história recente de Cuba, quando a população se manifestou contra as dificuldades econômicas e a repressão governamental. "A famosa frase de Díaz-Canel — 'a ordem de combate está dada' — poderia ter sido uma oportunidade para um diálogo nacional, mas o governo optou pela repressão".
De la Fuente também menciona a visita de Barack Obama a Cuba em 2016 como uma chance desperdiçada para promover mudanças significativas. “Obama trouxe uma agenda de abertura. Os cubanos estavam prontos para aproveitar essa oportunidade, mas a resposta do governo foi de confrontação”, explica.
A crise demográfica em Cuba é também uma preocupação central. Segundo De la Fuente, houve uma perda de até 20% da população cubana nos últimos anos, o que classificaria a situação como um verdadeiro colapso. "Cuba nunca se recuperou da pandemia, e com a queda do turismo, a população está envelhecendo e se tornando improdutiva", aponta.
Com a migração em massa, Cuba enfrenta a perda de seu talento humano, principalmente entre jovens e mulheres. "Isso significa não apenas a saída de pessoas, mas a perda de um potencial essencial para o futuro do país", destaca. Essa realidade demográfica se reflete em um país que parece estar à beira de um colapso social.
Ao ser questionado sobre as possibilidades de uma reação da sociedade civil, De la Fuente foi cauteloso. "Os movimentos sociais em Cuba foram severamente enfraquecidos. A situação atual é a mais frágil que a ilha já enfrentou", lamenta. Sem um líder ou um movimento político forte, as perspectivas para mudanças significativas são incertas.
No entanto, o historiador acredita que existem empreendedores locais que estão tentando fazer a diferença. “Há novos grupos empresariais que reivindicam salários dignos e têm uma visão de um país próspero e democrático. O grande desafio é criar espaços onde essas vozes possam ser ouvidas”, conclui.
Cuba está em um momento crítico de sua história, e a combinação de incompetência governamental e a falta de diálogo pode levar a um futuro incerto. Os cubanos, tanto dentro quanto fora da ilha, anseiam por uma nova estrutura que encare as necessidades da população e busque um desenvolvimento sustentável e justo.