Movimento No Kings mobiliza milhões contra autoritarismo em protesto
Mais de 3.000 manifestações tomaram as ruas das principais cidades dos Estados Unidos neste sábado, em um grande esforço para protestar contra o que muitos chamam de excessos autoritários do presidente Donald Trump. O movimento, denominado No Kings (Sem Reis), enfatiza que o país não é uma monarquia, relembrando a luta pela independência do Reino Unido há 250 anos, e destaca a crescente insatisfação com as políticas de sua administração.
Este é o terceiro grande evento do movimento, que começou com uma macroprotesta em julho de 2025 e continuou em outubro do mesmo ano, que reuniu mais de cinco milhões de pessoas em um dos maiores protestos da história dos EUA. A edição atual, convocada por grupos progressistas, cívicos e sindicais, visava unir ainda mais cidadãos à onda de resistência contra a administração Trump.
As manifestações se destacaram pelo seu caráter festivo, com canções alegres, fantasias satirizando Trump e cartazes com slogans criativos criticando suas políticas. Os organizadores do movimento afirmaram que, surpreendentemente, dois terços dos participantes vieram de regiões fora das grandes cidades, indicando que as vozes de descontentamento estão começando a ser ouvidas em estados mais conservadores e áreas rurais.
Trump, por sua vez, se apresentou às eleições criticando a intervenção militar de seus antecessores, prometendo que ele não faria o mesmo. Contudo, apenas três meses após iniciar seu mandato, já ordenou operações militares em solo estrangeiro, especificamente na Venezuela e no Irã.
Uma presidência sem controle
Durante um discurso em Miami, Trump afirmou que os bombardeios em Teerã não constituem uma guerra, mas uma “operação militar”, tentando assim evitar o controle do Congresso sobre suas ações. A falta de controle e as divisões no Congresso têm permitido que ele abuse de ordens executivas para impor sua agenda, enquanto o sistema judiciário se torna um dos últimos atalhos para frear suas decisões.
Além disso, Trump tem desferido ataques a seus rivais políticos, chamando-os de "lunáticos" e "terroristas", e desprezando jornalistas que não seguem sua narrativa. Essa postura agressiva foi exemplificada por suas declarações após a morte do ex-diretor do FBI, Robert Mueller, quando declarou: "Bem, estou feliz que ele esteja morto! Já não pode prejudicar pessoas inocentes!".
A crise da acessibilidade
A política tarifária de Trump tem deixado milhões de famílias em dificuldades financeiras, com preços cada vez mais altos. O Supremo Tribunal dos EUA anulou várias de suas tarifas indiscriminadas, uma ação que ele criticou duramente, chamando os juízes de "imbecis" e "cães de defesa dos republicanos moderados e da esquerda radical".
A inflação e a crise de acessibilidade têm impactado a popularidade de Trump, que está enfrentando taxas de aprovação muito baixas em função de sua gestão econômica e das guerras em andamento. Os preços do combustível, por exemplo, subiram significativamente, com o preço do diesel superando cinco dólares, uma alta que afeta diretamente o orçamento das famílias americanas.
A perda de apoio dos republicanos nas eleições desde o verão passado, incluindo em importantes cidades como Nova York e Virginia, demonstra um descontentamento crescente com a administração. A mobilização do movimento No Kings é um reflexo desse descontentamento e indica uma busca por um governo que priorize os interesses da população ao invés das campanhas militares e do poder corporativo.
Conforme o movimento se fortalece, a pressão sobre a administração Trump aumenta, com cidadãos pedindo um retorno ao respeito às instituições democráticas e uma política mais equitativa, que favoreça trabalhadores e famílias, ao invés das elites financeiras.