IA pode reduzir tempo e tentativas frustradas em tratamentos de fertilização in vitro

Por Autor Redação TNRedação TN

IA pode reduzir tempo e tentativas frustradas em tratamentos de fertilização in vitro

A fertilização in vitro (FIV) é um processo complexo que envolve várias etapas e, muitas vezes, gera frustrações para os casais que desejam ter filhos. Recentemente, a inteligência artificial (IA) tem se mostrado uma aliada importante nesse processo, ajudando a reduzir o tempo e o número de tentativas frustradas. No Brasil, ferramentas de IA já estão sendo utilizadas em diversas etapas da FIV, trazendo esperança e eficiência para muitos casais.

Um exemplo notável é o caso da advogada Sullen Prado Vecchi, de 39 anos, que passou por quatro FIVs e seis transferências de embriões para engravidar do primeiro filho. O processo levou quase 10 meses, mas na segunda tentativa, com o auxílio da IA, ela conseguiu engravidar após apenas duas FIVs e uma transferência, em um período de quatro meses. Hoje, Sullen é mãe de Giovanni, de 2 anos, e Daniel, de 4 meses.

As ferramentas de IA são utilizadas para avaliar a qualidade dos espermatozoides, óvulos e embriões, além de definir as doses hormonais adequadas para estimular os ovários e determinar o melhor momento para a transferência do embrião ao útero. A Future Fertility, uma empresa canadense, desenvolveu um dos primeiros softwares de IA para avaliar o potencial reprodutivo de óvulos e já está presente em 58 clínicas no Brasil. A FertGroup, uma empresa brasileira de medicina reprodutiva, também utiliza IA em todas as suas 15 unidades no país.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) reconhece que a tecnologia está se tornando cada vez mais comum na medicina reprodutiva, mas alerta que sua incorporação deve ser feita com cautela, pois não substitui a experiência e o olhar humano dos profissionais de saúde. Sem a IA, embriologistas experientes realizam a seleção de óvulos, espermatozoides e embriões a olho nu, o que pode levar a interpretações variadas. Com a IA, padrões de simetria e granulosidade são analisados de forma mais padronizada, utilizando modelos matemáticos comparativos.

Oscar Duarte, diretor médico nacional da FertGroup, explica que a FIV é dividida em quatro etapas: estimulação ovariana, coleta dos óvulos e espermatozoides, cultivo embrionário e transferência do embrião. A IA pode auxiliar em todas essas fases, desde a definição das doses hormonais até a seleção dos embriões com maior chance de resultar em gravidez. Sullen sempre sonhou em ser mãe, mas enfrentou dificuldades.

Após uma gravidez natural que resultou em uma gestação ectópica, ela e o marido decidiram tentar a FIV. Cada ciclo de FIV custava cerca de R$ 30 mil, totalizando R$ 180 mil para os dois filhos. Apesar do alto custo, Sullen não se arrepende, afirmando que a recompensa é maravilhosa e vale qualquer valor gasto.

O uso de IA pode adicionar entre R$ 1. 500 e R$ 2. 000 ao custo de um ciclo de FIV, que já varia entre R$ 15 mil e R$ 45 mil, dependendo da clínica e dos medicamentos utilizados.

Atualmente, os planos de saúde não cobrem a reprodução assistida, pois o procedimento não está incluído no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Em alguns casos, como pacientes com câncer que desejam congelar óvulos, é possível solicitar reembolso, mas isso geralmente depende de judicialização. Durante o tratamento para engravidar de Giovanni, Sullen utilizou uma incubadora moderna chamada Embryoscope, que simula as condições do útero materno e permite o monitoramento constante dos embriões.

A IA integrada ao sistema analisa as imagens e compara os padrões com milhares de embriões previamente analisados, ajudando a classificar aqueles com maior potencial de implantação. Apesar das dificuldades, Sullen conseguiu engravidar de Giovanni e, ao tentar ter o segundo filho em 2025, utilizou novamente a IA na seleção de óvulos. A tecnologia, que compara imagens dos óvulos com um banco de dados, identifica padrões associados a maiores taxas de sucesso.

O tratamento também incluiu uma biópsia genética embrionária para detectar alterações que poderiam afetar a implantação ou causar doenças hereditárias. Roberto Antunes, presidente da SBRA, ressalta que a presença da IA não garante automaticamente melhores resultados, assim como a ausência dela não torna a fertilização menos eficaz. A experiência do médico e a análise em laboratório continuam sendo fundamentais.

Sullen compartilha que nunca sentiu que a tecnologia substituía o médico, mas sim que a IA funcionava como uma ferramenta auxiliar, proporcionando mais segurança durante o processo. A utilização da IA na FIV representa um avanço significativo na medicina reprodutiva, oferecendo novas esperanças para casais que enfrentam dificuldades para engravidar. Com a combinação da tecnologia e da experiência humana, o caminho para a maternidade pode se tornar mais curto e menos frustrante.

Tags: Fertilização In Vitro, Inteligência Artificial, FIV, tratamentos de fertilização, redução de tentativas, tecnologia na medicina Fonte: jornaldebrasilia.com.br