Mistério da sobrevivência das abelhas-rainhas debaixo d'água
A capacidade de sobrevivência das rainhas de mamangabas (Bombus) de respirar e permanecer vivas submersas é fundamental para a resiliência das populações de abelhas ameaçadas. Essa descoberta, realizada por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Guelph e da Universidade de Ottawa, revela novas facetas do comportamento dessas abelhas durante períodos críticos, como o inverno.
As rainhas de mamangabas, conhecidas como “abelhões”, passam a maior parte do inverno enterradas no solo, hibernando em cavidades do tamanho de uma uva. Essa hibernação, chamada de diapausa, pode durar de seis a nove meses, durante a qual as rainhas enfrentam a ameaça de inundações, potencialmente causadas por mudanças climáticas que provocam chuvas intensas.
Recentemente, um acidente em laboratório levou os pesquisadores a investigar a habilidade dessas rainhas de sobreviver submersas. Durante um experimento, tubos onde as abelhas estavam em diapausa se encheram de água. Para surpresa dos cientistas, após a remoção da água, as rainhas começaram a se mover, indicando que haviam sobrevivido à submersão.
Estudo sobre respiração e metabolismo
Com base nessa descoberta inicial, os pesquisadores conduziram um novo experimento com 143 rainhas de abelhas comuns do leste dos EUA. Os resultados mostraram que as rainhas conseguiram resistir à submersão total por até uma semana, levantando a questão de como esse polinizador terrestre consegue durar tanto tempo debaixo d’água.
Para investigar, a equipe estudou a respiração e o metabolismo das abelhas em seu laboratório. Durante a diapausa, a taxa metabólica das rainhas diminui em mais de 99%, a tornando cada vez mais adaptadas para sobreviver com mínima energia.
Os pesquisadores descobriram que, mesmo submersas, as rainhas conseguiam consumir oxigênio e liberar dióxido de carbono. Esse fenômeno é possível devido ao uso de uma camada de ar que adere ao corpo das abelhas, semelhante ao que muitos insetos aquáticos fazem para respirar debaixo d'água.
A importância da resiliência das rainhas
Além disso, as rainhas utilizam o metabolismo anaeróbico, que permite a produção de energia sem oxigênio, embora isso resulte na produção de ácido lático. Esse processo de respiração não apenas as ajuda a sobreviver, mas também tem um custo energético significativo. Após emergirem da água, as rainhas demandam um período de recuperação, usando mais energia do que teriam empregado se não tivessem estado submersas.
A resiliência das rainhas de mamangabas é um indicativo importante da saúde das colônias. Como a sobrevivência dessas rainhas é vital para a formação de novas colônias na primavera, sua capacidade de resistir a anomalias climáticas é crucial em um cenário mundial cada vez mais instável.
Essas descobertas sublinham a complexidade do comportamento e fisiologia das abelhas, mostrando que mesmo os insetos mais comuns podem nos ensinar muito sobre adaptação e sobrevivência em face das mudanças ambientais. A pesquisa continua, prometendo iluminar ainda mais os mistérios da vida das abelhas e sua importância para o ecossistema.