Divisões internas no PSOL refletem incertezas em Alerj

Por Autor Redação TNRedação TN

PSOL enfrenta racha por acordo com grupo de Paes na Alerj. Reprodução: Oglobo

Divisões internas no PSOL refletem incertezas em Alerj

Divergências sobre apoiar nome do ex-prefeito do Rio e defesa de candidatura própria expõem divisão interna no partido.

Por Jéssica Marques

Rio de Janeiro, 10/04/2026 - A indefinição sobre o apoio ao grupo de Eduardo Paes na Alerj gerou divisões internas no PSOL. Enquanto uma ala defende candidaturas próprias sem alianças com o centrão, outra considera uma aproximação estratégica. A conferência do partido decidirá sobre as candidaturas para o governo do estado e a presidência da Alerj.

A indefinição sobre uma aproximação com o grupo político do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) tem aprofundado um racha interno do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e travado a escolha de um nome do partido para disputar a presidência da Casa. Nos bastidores, a avaliação é que as divergências sobre apoiar ou não um nome de Paes dificultam a construção de um consenso em meio ao cenário de incerteza sobre as regras da eleição suplementar para o governo estadual, que ainda serão definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma ala do PSOL defende que o partido lance candidaturas próprias em todas as frentes, sem qualquer composição com grupos ligados ao centrão ou à base de Paes. A posição do partido, no entanto, deve ser formalizada em conferência marcada para este sábado, na sede da Sindisprev, na Lapa, no centro do Rio, quando o PSOL pretende deliberar sobre nomes para o governo do estado, o Senado, o eventual mandato-tampão, além da presidência da Alerj.

A nossa posição está consolidada. Vai ter a conferência do PSOL em que vou lançar o meu nome para a eleição de mandato-tampão e governo. Minha candidatura está registrada e apresentada. Claro que estamos aguardando a deliberação dos ministros do STF sobre as eleições, mas já estou me adiantando. Acredito que o PSOL tem que disputar essa eleição para valer.

Essa declaração é de Glauber Braga, deputado federal, um dos nomes colocados para a disputa, juntamente com o vereador da Câmara do Rio, William Siri (PSOL), tanto para uma eventual eleição indireta quanto para o governo estadual. Apesar da movimentação, interlocutores do partido admitem que não há maioria consolidada em torno do nome de Glauber, evidenciando o grau de divisão interna.

Já para a vaga do Senado, estão postos os nomes da vereadora Mônica Benicio e da suplente Luciana Boiteux.

Impasses sobre a presidência da Alerj

Uma possível aproximação do partido com o Eduardo Paes tem causado desconforto entre membros na Casa. Parte da bancada defende que o PSOL não apoie nomes ligados à família Reis nem candidatos associados ao centrão na Alerj. Isso porque entre os nomes apoiados pelo grupo de Paes para encabeçar a disputa estão os deputados Vitor Júnior (PDT), André Corrêa (PSD) e Rosenverg Reis (MDB). As divergências, segundo parlamentares, também não passam necessariamente pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas estão inseridas em uma leitura de conjuntura nacional e local.

Entre os pontos de tensão está a decisão de não apoiar Eduardo Paes nas eleições de outubro nem em uma eventual disputa por mandato-tampão, adotando uma postura de oposição. Para o deputado estadual professor Josemar (PSOL), a saída passa pela afirmação de independência política:

Eu defendo que o PSOL lance uma candidatura própria para presidência da Alerj e não acho correto nenhuma negociação com Eduardo Paes.

Enquanto o PSOL enfrenta dificuldades internas, o grupo político de Paes defende uma união de forças. O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, afirma que a sobrevivência do grupo passa pela construção de unidade diante da atual predominância da direita na Alerj:

O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL.

A estratégia inclui ampliar a bancada da sigla — atualmente com seis deputados — para até dez cadeiras, o que a colocaria como a segunda maior da Casa, atrás apenas do PL, que reúne 22 parlamentares. A definição, no entanto, deve ocorrer apenas após o julgamento do Supremo Tribunal Federal, que ainda vai estabelecer as regras da eleição.

Tags: Alerj 2026, Política Brasileira, Eduardo Paes, PSOL, Eleições Rio Fonte: oglobo.globo.com