Investigação liga ex-comandante da PM de SP ao PCC

Por Autor Redação TNRedação TN

[Investigação aponta possível elo entre ex-comandante da PM, policiais e PCC]. Reprodução: Oglobo

Entenda a investigação que apura elo entre ex-comandante da PM de São Paulo, policiais e PCC

Uma investigação colocou o ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, no centro de um inquérito por suposto elo entre policiais e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Depoimentos indicam que agentes escoltavam uma empresa de ônibus ligada à facção criminosa, enquanto Coutinho teria minimizado práticas ilegais de seus subordinados. A defesa alega a idoneidade do coronel, embora sua recente exoneração ocorra no contexto da apuração.

Um dia após a troca de comando-geral da Polícia Militar de São Paulo, um depoimento prestado à Corregedoria por um sargento preso acusado de ligação com o PCC veio a público, colocando o coronel no centro de uma investigação sobre a conexão entre policiais e a facção criminosa. O inquérito investiga a atuação de policiais na escolta de uma empresa de ônibus investigada por ligação com o PCC. Esse cenário levanta suspeitas sobre a conduta do antigo comandante da corporação.

Segundo o depoimento — prestado em janeiro e obtido por um veículo de comunicação — Coutinho teria tentado convencer o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário a permanecer na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma tropa de elite da PM paulista, mesmo após pressão para transferência. A conversa teria ocorrido em setembro de 2020, época em que Coutinho comandava a unidade. De acordo com a Corregedoria, sete policiais militares aderiram de forma "consciente e voluntária" ao esquema relacionado ao PCC, contribuindo para a continuidade das atividades empresariais utilizadas para lavagem de dinheiro da facção.

Além de escoltar diretores da empresa investigada, os policiais eram pagos com notas frias. Romano foi preso em 4 de fevereiro por realizar segurança privada para diretores da Transwolff, empresa afastada do serviço de ônibus na capital após a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em abril de 2024. A investigação revelou que o PCC injetou cerca de R$ 54 milhões na companhia para garantir sua participação em licitações. Em dezembro de 2025, a prefeitura decretou a caducidade dos contratos.

No depoimento à Corregedoria, Romano afirmou que Coutinho minimizou o fato de ele realizar "bicos" fora da corporação — prática proibida — mesmo sabendo que havia criminosos envolvidos. Segundo o relato, Coutinho pediu ao sargento que refletisse antes de deixar a unidade, demonstrando uma aproximação injustificada.

Autoridades entrevistadas afirmam que um incidente ocorrido durante o comando de Coutinho na Rota contribuiu para seu desgaste. Ele teria sido informado sobre um vazamento de informações dentro da corporação em favor do PCC, mas não teria tomado providências. O caso está relacionado à investigação sobre a fuga de Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, que foi apontado como líder da facção fora do sistema prisional, durante a Operação Sharks, em 2020.

A Secretaria de Comunicação do governo informou que não comenta investigações em andamento conduzidas pela Corregedoria, ressaltando que as apurações são realizadas com rigor técnico, respeito ao devido processo legal e assegurando as garantias individuais. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) negou que a ida de Coutinho para a reserva tenha relação com a investigação e afirmou que o pedido partiu do próprio oficial.

Tags: Polícia Militar de São Paulo, PCC, Corrupção policial, Investigação crime, Justiça Brasileira Fonte: oglobo.globo.com