Candidaturas ao Senado enfrentam impasse por promessas não cumpridas

Por Autor Redação TNRedação TN

Flávio Bolsonaro fala na CPAC, enquanto aliados cobram promessas políticas. Reprodução: Oglobo

Candidaturas ao Senado enfrentam impasse por promessas não cumpridas

Aliados de Flávio Bolsonaro enfrentam crescente pressão para que o senador cumpra promessas não atendidas feitas por Jair Bolsonaro em acordos políticos. Essa situação tem gerado um impasse nas candidaturas, as quais são consideradas essenciais para a oposição na nova legislatura. O contexto político varia de acordo com os estados, refletindo tensões internas e dificuldades na articulação de coligações.

No estado de São Paulo, a principal fonte de disputa reside nas promessas feitas por Jair Bolsonaro ao bispo Samuel Ferreira. Um acordo previa o apoio político em troca da indicação de um nome da Assembleia de Deus Ministério Madureira para o Senado. Este acordo envolvia os deputados Marco Feliciano e Cezinha de Madureira, ambos do PL-SP. Contudo, essa negociação não se concretizou, aumentando a insatisfação entre os envolvidos.

A tensão aumentou na semana passada, quando Feliciano, que já havia sido preterido em 2022, confrontou Flávio durante um culto na Assembleia de Deus do Belém, questionando:

— Quando é que você e sua família passarão a tratar os evangélicos com a reciprocidade que a gente merece, em vez de uma relação de via única?

A falta de compromisso com o espaço prometido transformou a relação entre aliados e a família Bolsonaro em uma fonte de tensão. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende a indicação de André do Prado, enquanto Eduardo Bolsonaro tenta angariar apoio para aliados nas disputas estaduais. O esvaziamento das promessas de Flávio pode levar à diminuição do engajamento de Cezinha de Madureira na pré-campanha.

O impasse não se limita a São Paulo. Em Roraima, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) foi incentivado a concorrer ao Senado, mas enfrenta resistência do diretório local do PL, que prioriza outros nomes. Isso gerou um descontentamento significativo, considerando que Lopes alterou seu domicílio eleitoral sob orientação de Bolsonaro, na expectativa de que isso facilitará sua concorrência. A situação se complica com aliados lembrando das promessas anteriores feitas a outros candidatos, o que certamente gera um clima de insegurança entre eles.

Em Mato Grosso do Sul, a disputa interna sobre a candidatura ao Senado inclui a mulher do deputado Rodolfo Nogueira, Gianni Nogueira, cujo nome enfrenta a concorrência de outros integrantes do PL, como o ex-governador Reinaldo Azambuja. O próprio Nogueira procurou minimizar o problema, afirmando que as disputas internas são uma parte normal do processo.

No Ceará, o conflito é de conotação familiar, onde Michelle Bolsonaro apoia uma candidata a vereadora de Fortaleza, enquanto Flávio defende um deputado estadual como candidato. Apesar das divisões, a equipe de Flávio acredita que a situação é administrável, conforme observado por Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha.

— Flávio está fazendo o dever de casa e arrumando os palanques estaduais. Em 2022, Bolsonaro só tinha dez palanques e agora teremos 22 ou 23 estados. É um trabalho que demanda tempo — explicou Marinho.

Tags: Candidaturas ao Senado, Política Brasileira, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eleições 2026 Fonte: oglobo.globo.com