Hamburgueria em SP investiga denúncias de práticas abusivas

Por Autor Redação TNRedação TN

Caso de discriminação salarial em hamburgueria do interior de SP ganha repercussão. Reprodução: G1

Hamburgueria em Ribeirão Preto é alvo de denúncias e investigações

Um estabelecimento localizado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, está sob investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Civil após denúncias de práticas abusivas de recrutamento. O Oliveira Burguer ofereceu salários superiores a mulheres que aceitassem trabalhar usando roupas consideradas provocativas, como calças legging que marcassem as partes íntimas e decotes.

As propostas foram trazidas à tona por vítimas que relataram a abordagem do recrutador, que solicitava fotos do corpo das candidatas como parte do processo seletivo. Uma adolescente de apenas 17 anos formalizou uma denúncia após receber a proposta considerada abusiva, o que gerou uma onda de apurações sobre a conduta da hamburgueria.

Como funcionava o processo de recrutamento?

Conforme relatos, o Oliveira Burguer divulgava vagas em grupos de WhatsApp voltados para a busca de emprego, sem entrar em detalhes sobre as funções disponíveis. As interessadas eram instruídas a enviar mensagens privadas para o recrutador, que, durante a conversa, explicava que o salário poderia variar de acordo com o tipo de roupa utilizada durante o trabalho. Essas condições incluíam um aumento no salário apenas se as candidatas aceitassem se vestir de maneira que destacasse o corpo.

Condições salariais e propostas inaceitáveis

Após analisar mensagens trocadas entre as candidatas e o recrutador, verificou-se que existiam propostas com valor salarial substancialmente diferente, dependendo do uso de roupas justas e decotes. As ofertas de remuneração variavam de R$ 90 para seis horas de trabalho, podendo chegar até R$ 180, ou um salário base de R$ 1,3 mil que poderia ser elevado a R$ 1,7 mil.

"Com o tempo e aprendizado vimos muito acontecer, por isso estamos oferecendo um salário de R$ 1.700. Com o tempo vimos que a mulher com um decote, mostrando, uma calça legging mais marcando (risos), chama muito mais cliente, atrai muito o público", dizia uma mensagem do recrutador.

Relatos impactantes de candidatas

Duas mulheres, uma de 17 e outra de 23 anos, se pronunciaram sobre como foram abordadas e as propostas que receberam. A adolescente, após revela que era menor de idade, foi questionada sobre o uso de roupas curtas e também recebeu pedidos de fotos. Seu relato culminou no registro de um boletim de ocorrência por importunação sexual.

A mulher de 23 anos também expressou indignação ao receber uma proposta semelhante, que incluía o uso de roupas que ressaltassem as partes íntimas. Ambas se sentiram desrespeitadas e invadidas com as abordagens.

Investigações em andamento

Essas denúncias resultaram em investigações tanto na Polícia Civil quanto no MPT. Especialistas em direito do trabalho afirmam que as propostas não apenas violam princípios éticos, mas também configuram crimes que podem resultar em ações legais contra o estabelecimento. O caso da adolescente agrava a situação por envolver menor de idade e pode levar a sanções severas.

A postura do estabelecimento

Depois que a situação ganhou notoriedade, o perfil da hamburgueria foi desativado nas redes sociais e o local não funcionou durante determinado período. O dono do estabelecimento, identificando-se como Rafael Oliveira, reconheceu os equívocos e expressou lamento, afirmando que não tinha a intenção de ofender nenhuma mulher. Ele alegou que não percebeu a idade da adolescente durante as trocas de mensagens.

Além de chamar a atenção para questões de direitos trabalhistas, o caso reforça a importância de uma fiscalização mais rigorosa nas relações de trabalho, visando proteger trabalhadores e inibir práticas abusivas no mercado.

Tags: Direitos Trabalhistas, Abuso Sexual, Ribeirão Preto, Investigação, Mercado de Trabalho Fonte: g1.globo.com