Julgamento de policiais por execução de jovem em Paraisópolis
Quatro policiais militares estão prestes a ser levados a júri popular pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em 10 de julho de 2025, na comunidade de Paraisópolis, localizada na Zona Sul de São Paulo. As câmeras corporais dos agentes da Polícia Militar (PM) capturaram toda a situação, onde a vítima aparece desarmada e com as mãos erguidas, prontamente seguida por sua execução.
As gravações mostram que Igor estava rendido, apoiado contra uma cama, quando foi atingido por dois disparos, um no peito e outro no pescoço. O julgamento está agendado para o dia 28 de julho de 2026, no Plenário 13 do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista.
A decisão de levar os agentes a júri popular foi proferida em janeiro de 2026. Dentre os quatro réus, somente dois, os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, serão julgados em julho, pois permanecem presos. Os outros dois, os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, contestaram a decisão e ainda não há uma data definida para o julgamento deles.
O caso de Igor Santos
Igor foi morto durante uma operação policial supostamente destinada a combater o tráfico de drogas na região. Durante a intervenção das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), a polícia alegou que três suspeitos armados fugiram ao perceber a presença das motos e se esconderam em uma casa nas imediações.
No entanto, a investigação do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) revelou que as imagens das câmeras corporais mostraram que a abordagem resultou em uma execução. Os policiais, sem saber que as câmeras estavam gravando, invadiram o imóvel e exigiram que os jovens entregassem armas, mesmo estando desarmados e já rendidos. Igor, ao se ajoelhar e erguer as mãos, acabou sendo alvejado pelos disparos dos agentes.
Papel do Ministério Público
O Ministério Público (MP) classificou a ação dos policiais como uma execução deliberada, com motivação torpe. A acusação destaca que, ao subtrair a atuação legal do estado e decidir pela morte do jovem, os agentes cometeram um ato de justiçamento.
Defesa dos acusados
Os advogados de defesa estão preparados para contestar a legalidade da ação policial, argumentando que as imagens capturadas podem não representar toda a verdade dos fatos. "As câmeras corporais não mostraram a realidade", afirmou João Carlos Campanini, representando dois dos acusados.
Outro advogado, Wanderley Alves dos Santos, também argumentou que as acusações contra seus clientes são frágeis e que se baseiam em um recorte limitado da ocorrência.
A dor da família de Igor
A família de Igor, que deixou uma filha de apenas 5 anos, busca por justiça e acredita que a morte do jovem foi uma execução. Magdo de Moraes Santos, pai de Igor, expressou sua dor ao afirmar: "O que mais me dói é que meu filho ficou agonizando e deixaram-no morrer de olhos e boca abertos".
A defesa da família está sob responsabilidade dos advogados Jonatha Carvalho e Gabriela Amoras Silva, que atuam como assistentes da acusação, buscando responsabilizar os policiais pela ação antijurídica.
O julgamento no Tribunal do Júri será um importante momento para esclarecer os fatos e buscar a responsabilização dos envolvidos na morte de Igor, um caso que levanta questões cruciais sobre a atuação policial e a proteção dos direitos humanos no Brasil.