Esquema de Lavagem de Dinheiro de MCs Revela Operação Bilionária da PF

Por Autor Redação TNRedação TN

Esquema envolvendo MCs usava transferências fracionadas para lavar dinheiro. Reprodução: G1

Esquema de Lavagem de Dinheiro de MCs Revela Operação Bilionária da PF

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo artistas do funk, que utilizava transferências fracionadas para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre os alvos da operação, destacam-se MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, detidos na última semana. De acordo com a PF, o grupo movimentou aproximadamente R$ 1,6 bilhão por meio de uma rede que misturava ganhos legais destinados a cachês de shows com valores oriundos de atividades ilegais, como jogos clandestinos e tráfico de drogas.

Os investigadores indicam que a entidade criminosa usava uma estratégia consistente de fracionar grandes quantias em centenas de transferências menores, o que dificultava a identificação por órgãos de controle financeiro. Um exemplo notável apontado na investigação mostrou que R$ 5 milhões eram divididos em quase 500 operações de R$ 10 mil cada. “Eles acreditam que realizar transações em valores menores também diminuiria os alertas pelos órgãos de controle”, declarou Roberto Costa Silva, delegado da PF.

“Eles acreditam que realizar transações em valores menores também diminuiria os alertas pelos órgãos de controle”, disse Roberto Costa Silva, delegado da PF.

Além do fracionamento, o dinheiro circulava por contas de terceiros e empresas intermediárias, criando camadas que dificultavam o rastreamento do capital. Os artistas investigados eram considerados relevantes no processo, por cederem contas bancárias e conferir uma aparência de legitimidade aos valores. A investigação ainda demonstrou que as redes sociais eram utilizadas como ferramenta para impulsionar o esquema, onde os MCs promoviam plataformas de jogos ilegais, o que gerava um alto volume de movimentação financeira, misturando recursos ilícitos com receitas legítimas.

Em um dos áudios obtidos pela investigação, um dos artistas comenta sobre os lucros com esse tipo de divulgação. Em outro trecho, aparecem negociações que poderiam resultar em ganhos de até R$ 400 mil por dia com publicações relacionadas a jogos. O esquema contava também com a atuação de um contador, considerado peça central da operação. Segundo a PF, ele organizava as transações, orientava sobre a ocultação do patrimônio e intermediava o uso de criptomoedas para dificultar ainda mais o rastreamento do dinheiro.

A investigação também identificou o uso de estabelecimentos comerciais para movimentar valores. Um restaurante em São Paulo, com ligações a pessoas próximas a um dos investigados, recebeu depósitos de mais de 150 pessoas, com quantias consideradas incompatíveis com o serviço prestado. A operação da PF foi deflagrada em oito estados e no Distrito Federal, contando com a participação de mais de 200 policiais federais. Foram cumpridos mandados de prisão e apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões.

Em nota, a defesa de MC Ryan SP negou qualquer irregularidade, afirmando que todas as movimentações financeiras do artista são justificadas por contratos legais. Já os advogados de MC Poze do Rodo também refutaram a ligação de seu cliente com atividades criminosas. As investigações continuam em andamento, e a magnitude do caso ressalta a necessidade de rastreamento de movimentações financeiras em um cenário em que o combate à corrupção e ao crime organizado é cada vez mais essencial.

Operação da PF mira MC Ryan e MC Poze do Rodo em investigação sobre esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Tags: Lavagem de Dinheiro, Funk Brasileiro, Investigação Policial, Crime Organizado, Polícia Federal Fonte: g1.globo.com