Brasileira denuncia xenofobia após demissão em Portugal
Priscila Brandão Gomes, uma brasileira vivendo em Portugal, fez uma grave denúncia de xenofobia após ser demitida do serviço público, o que afetou a estabilidade de sua família e a permanência legal de seu filho no país. Neste contexto, Priscila apela ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abordar esta discriminação durante as reuniões bilaterais com líderes portugueses.
Com formação em pedagogia e pós-graduação em gestão educacional, a paraense de 42 anos reside em Portugal há três anos e havia conquistado um cargo de assistente operacional no Instituto Politécnico de Lisboa após passar em um concurso. Entretanto, ela alega que foi demitida injustamente durante o período de experiência.
"Minha chefe sempre demonstrou que não gostava de mim pelo simples fato de eu ser brasileira", revelou Priscila, que formalizou uma queixa no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Ministério Público de Lisboa, acrescentando que hoje irá incluir a questão da xenofobia em seu processo.
Priscila, que chegou a abdicar de uma oferta de emprego na hotelaria em prol do serviço público, afirmou que a desaprovação recebida prejudica a regularidade da permanência de seu filho em Portugal. Ela comentou: "Uma avaliação forjada em inverdades tendenciosas tirou o meu sustento e isso compromete a estabilidade da minha família", referindo-se à luta para garantir a residência do filho, que não vê os avós no Brasil há três anos devido à falta de autorização de residência.
Priscila revelou também que, devido à gravidade da situação, tem a data de 27 de maio agendada para a entrevista de reagrupamento familiar de seu filho. Ela denunciou ainda à Inspeção de Finanças e à Comissão de Igualdade Contra a Discriminação Racial (CICDR), e pretende anexar informações sobre xenofobia ao processo aberto no DIAP do MP.
"A prática de xenofobia institucional já denunciada à CICDR não viola apenas os meus direitos como trabalhadora estrangeira, mas atenta contra a estabilização de uma família e a dignidade de um menor", declarou Priscila, que fez apelos a Lula para reforçar a necessidade de combater a discriminação de brasileiros em Portugal durante seu encontro com o presidente António José Seguro e o primeiro-ministro Luís Montenegro.
Ela ainda sugeriu que o governo brasileiro crie um canal bilateral de denúncias para ajudar a punir instituições que discriminam brasileiros por preconceitos diversos. "Espero que ouçam o Lula, porque a gente está precisando muito", disse ela, ressaltando a importância de ter voz nessas questões.
A situação de Priscila torna-se ainda mais complexa quando ela menciona o conteúdo de sua avaliação, que recebeu nota inferior por utilizar expressões comuns no Brasil durante o trabalho. "Fui avaliada com nota negativa na expressão escrita apenas por usar o português do Brasil", explicou, referindo-se a detalhes como a utilização de termos como "planilha".
Segundo Priscila, houve momentos em que sua chefe a corrigia de forma humilhante quando utilizava expressões que ela considera normais no Brasil. "Ela nunca deixou registrado, mas me corrigia e dizia que não entendia por eu não falar direito", compartilhou.
O contrato de trabalho de Priscila foi assinado em 2 de dezembro de 2025, com efeitos legais a partir do dia anterior; seu período de experiência se encerrou em 28 de fevereiro. Ela ainda relatou que foi coagida pela supervisora a enviar um e-mail de desistência, sob a ameaça de não conseguir mais uma posição no serviço público caso não o fizesse.
Priscila enfatizou que não cedeu às pressões e buscou uma solução formal para a situação, pedindo esclarecimentos sobre os motivos da sua não aprovação. Contudo, a essência da sua denúncia, que envolve não apenas problemas individuais, mas denúncias de xenofobia e abuso no ambiente de trabalho, certamente requer atenção urgente das autoridades competentes em Portugal.
O Instituto Politécnico de Lisboa não se manifestou sobre as reclamações até o fechamento deste artigo, deixando questões sobre discriminação e direitos humanos em uma situação pendente e preocupante.