Atrasos no plano de transição energética do governo Lula

Por Autor Redação TNRedação TN

Trocas de ministros atrasam plano de transição energética no governo Lula. Reprodução: Oglobo

Atrasos no plano de transição energética do governo Lula

A elaboração do plano de transição energética do governo Lula enfrenta atrasos significativos devido a divergências internas, mudanças ministeriais e a proximidade das eleições. Este plano, crucial para reduzir o uso de combustíveis fósseis, busca consolidar o papel do Brasil em acordos climáticos globais e já está atrasado em mais de dois meses, uma situação que gera críticas de especialistas e afeta a credibilidade internacional do governo.

Além das divergências internas no governo federal, as trocas recentes de ministros e a iminente corrida eleitoral ampliam as dificuldades na elaboração do plano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu um prazo inicial de 6 de fevereiro, mas esse prazo não foi cumprido. Especialistas têm alertado que a situação prejudica a posição do Brasil em discussões climáticas, especialmente em um momento em que o país tenta liderar uma negociação global sobre o tema.

A falta de consenso é visível entre os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente, Casa Civil e Minas e Energia, e até o momento não há previsão para a convocação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) — órgão responsável pela votação da proposta final. Essa formulação interministerial, exigida por Lula em despacho de dezembro, busca garantir uma transição energética justa e planejada, com a proposta de reduzir gradativamente a dependência de combustíveis fósseis.

O Ministério do Meio Ambiente e o da Fazenda defendem um plano com caráter transversal, enquanto o de Minas e Energia propõe que as metas sejam integradas ao novo Plano Nacional de Energia (PNE). As pastas como Transporte e Desenvolvimento e Indústria também participam das discussões, porém, a falta de um entendimento claro tem atrasado significamente o processo.

Embora os ministérios afirmem que os trabalhos estão em fase de finalização, fontes internas indicam que as mudanças na liderança das pastas afetaram o ritmo das discussões. De acordo com um funcionário que participa das reuniões, a saída de figuras de peso como Fernando Haddad, Marina Silva e Rui Costa, impactou a coordenação política necessária para avançar nas negociações.

Organizações como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram uma carta a Lula e aos ministros responsáveis, pedindo a conclusão do despacho presidencial e alertando para as consequências do atraso, que ocorrem em um cenário de crise climática crescente no Brasil.

Os prazos ficaram ainda mais apertados, já que faltam apenas seis meses para as eleições. Tal cenário promove uma "fila de prioridades" que impacta a urgência da proposta de transição energética. A falta de convocação do CNPE também se mostra preocupante, já que não há data definida para a discussão do tema crucial.

O novo PNE, divulgado em fevereiro, traça um panorama energético para os próximos 30 anos, incluindo uma projeção de alta na demanda energética. Embora a proposta contemple fontes renováveis, a necessidade de investimento em petróleo e gás ainda é um ponto controverso dentro do governo, com alguns defendendo que a ampliação desses recursos seja permitida, desde que haja maior investimento em energias renováveis.

Aquelas que participam das discussões acreditam que o tempo maior para debater é natural, dada a complexidade do tema. Ela argumenta que a falta de consenso pode levar a a três alternativas que já foram apresentadas ao gabinete presidencial. No entanto, a presença de Alexandre Silveira na pasta de Minas e Energia é vista como um entrave para o avanço das discussões.

Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, enfatiza que um planejamento que inclua uma expansão de petróleo e gás representa um retrocesso nos esforços de transição energética do Brasil, o que afetaria a credibilidade do país no cenário internacional.

“A hora que o mundo descobrir vai ser um constrangimento enorme para o presidente Lula, que buscou brilhar nos palcos internacionais falando de mapas do caminho globais.”

Especialistas afirmam que a falta do documento nacional coloca o Brasil em uma posição desfavorável no cenário internacional. Marta Salomon, especialista em políticas climáticas, observa que a dificuldade é ainda mais acentuada em ano eleitoral, o que complica o debate devido à polarização existente.

A Casa Civil e o Ministério do Meio Ambiente alegaram que a elaboração da proposta está em andamento, com trabalhos em fase de finalização, e que as mudanças nos ministérios não impactaram o processo. Contrapõe-se que os ministérios de Minas e Energia e Fazenda não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre o andamento do plano.

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Tags: Transição Energética Brasil, Governo Lula, Política Ambiental, Crise Climática, Eleição 2026 Fonte: oglobo.globo.com