Estudo revela impactos da IA nas demissões em empresas

Por Autor Redação TNRedação TN

Estudo aponta que 45% das empresas demitem após investir em IA.. Reprodução: Oglobo

Estudo revela impactos da IA nas demissões em empresas

Uma pesquisa recente realizada pelo Laboratório de Economia Digital da Universidade Stanford traz à tona uma preocupante estatística: 45% das empresas que implementam sistemas de inteligência artificial (IA) acabam realizando cortes na força de trabalho. O estudo analisou 41 companhias em quatro regiões globais e alerta para as implicações da automação no mercado de trabalho.

O relatório destaca que a implementação de IA está frequentemente associada a estratégias de corte de custos, que resultam em demissões, enquanto a busca por novas receitas tende a promover a redistribuição de funcionários em funções mais valiosas. As empresas analisadas, que empregam mais de um milhão de trabalhadores, demonstraram um padrão preocupante de substituição de mão de obra.

Segundo o estudo, as empresas enfrentaram três tipos principais de resposta à introdução da IA: aceleração de processos, redistribuição de trabalhadores e demissões diretas. Dos casos analisados, 45% das empresas optaram por demitir, 19% congelaram novas contratações, 19% não realizaram cortes e 17% realocaram funcionários para novas funções.

Elisa Pereira, coautora do estudo, explica que, apesar de muitas empresas buscarem ganhos de produtividade através da IA, existe também o risco de maiores demissões conforme a tecnologia avança. “Hoje, as empresas procuram maneiras de aproveitar os ganhos de produtividade proporcionados pela IA sem eliminar postos de trabalho. Isso pode mudar com o tempo, à medida que as normas sociais evoluem”, alerta.

A pesquisa vai além e sugere que o caminho mais desafiador, mas promissor, para as empresas é usar a IA para aumentar receitas e crescimento. Isso requer uma reavaliação da estratégia empresarial, onde a tecnologia não apenas substitui tarefas, mas também permite o atendimento a novos segmentos de clientes. “É pensar em segmentos de clientes que você nunca atendeu e que talvez agora você consiga atender”, comenta Elisa.

A análise também menciona um estudo paralelo da empresa Anthropic, que indica que, teoricamente, grandes modelos de linguagem conseguem realizar 94% das funções em áreas como programação e finanças. No entanto, apenas uma fração dessas funções já é coberta por IA na prática. Isso sugere que a adoção massiva da tecnologia poderá acelerar ainda mais os cortes de pessoal nas empresas.

O relatório de Stanford também destaca que as principais barreiras à adoção de IA não são os usuários finais, mas sim departamentos como jurídico e recursos humanos. As preocupações com responsabilidades legais e a gestão da mudança são citadas como obstáculos significativos para a implementação de novos sistemas.

Recentemente, sinais de uma substituição em massa devido ao avanço da IA ganharam destaque, especialmente nas iniciativas da Meta. A empresa está em processo de demitir até 10% de sua força de trabalho global, o que equivale a cerca de 8 mil funcionários. Além disso, foi relatado que a companhia implementou um software de monitoramento para treinar modelos de IA que estão em desenvolvimento, demonstrando como a automação está moldando o futuro do trabalho.

Este cenário indica que, conforme a IA continua a evoluir, as discussões sobre seu impacto no mercado de trabalho e a necessidade de estratégias para mitigar os efeitos negativos nas demissões se tornam cada vez mais urgentes.

Tags: Inteligência Artificial no Trabalho, Demissões e IA, Empresas e Tecnologia, Estudos sobre IA, Impactos da Tecnologia Fonte: oglobo.globo.com