Banco Master sob investigação por pagamentos milionários a advogado preso
A Receita Federal revelou que o Banco Master declarou ter realizado pagamentos totalizando R$ 109 milhões a empresas ligadas ao advogado Daniel Monteiro, atualmente preso sob suspeitas de desvio de recursos e pagamento de propinas a autoridades. Monteiro, conhecido por sua associação próxima ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi detido na quinta-feira (16) por suas atividades consideradas fraudulentas.
Esses pagamentos ocorreram entre 2022 e 2025, conforme indicado nos documentos da Receita. O escritório de Monteiro, especializado em serviços jurídicos, recebeu R$ 79 milhões, enquanto a Mytra Consultoria, também vinculada ao advogado, recebeu R$ 30 milhões. A investigação apontou que Monteiro teria utilizado empresas "de prateleira" para ocultar transações financeiras, dificultando o rastreamento do dinheiro envolvido.
A declaração da Receita evidenciou que, além dos serviços contratados no âmbito jurídico, as empresas beneficiadas poderiam estar envolvidas em ações fraudulentas, uma vez que teriam sido criadas para mascarar a origem dos recursos. O Banco Master destacou, por meio de seus documentos, que as transações foram formalizadas em notas fiscais que alegadamente correspondem a serviços legítimos prestados.
O volumoso montante recebido pelo escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht, que somou R$ 79 milhões, está entre os mais altos do setor, apenas inferior ao valor recebido pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, que, por sua vez, recebeu R$ 80,2 milhões durante 2024 e 2025. Já a empresa Mytra Consultoria, que também é alvo da investigação, arrecadou R$ 30 milhões do Banco Master, detalhando R$ 7 milhões na declaração de 2024 e R$ 22 milhões em 2025.
Fundada em 2009 e com sede em Barueri, na Grande São Paulo, a Mytra Consultoria, com um capital social de R$ 263 mil, está registrada como prestadora de serviços de cobranças e informações cadastrais. Embora receba valores significativos, não foram encontradas evidências de uma presença online sólida da empresa, o que levanta mais dúvidas sobre suas operações.
As apurações levaram os investigadores a descobrir que, além das empresas diretamente ligadas a Daniel Monteiro, registros de pagamentos também envolviam entidades controladas por parentes do advogado, como seu irmão e cunhado. Essas empresas de prateleira, criadas com o auxílio de fornecedores conhecidos, mudaram frequentemente de razão social e estrutura, o que leva a suspeitar que eram usadas para ocultar fluxos financeiros relacionados a imóveis prometidos pelo banqueiro Vorcaro ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
A Polícia Federal destacou que foram utilizadas seis empresas de prateleira para movimentar valores dos fundos da Reag e efetuar pagamentos relacionados à aquisição de seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões. A localização dessas empresas estava associada ao escritório de Monteiro, que também foi alvo de uma operação de busca e apreensão. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, referiu-se a essas manobras como um indício do controle exercido por Monteiro sobre os mecanismos de ocultação financeira.