Policial de SP enfrentará júri popular por arremesso de homem de ponte

Por Autor Redação TNRedação TN

PM filmado arremessando homem de ponte em SP irá a júri popular. Reprodução: Oglobo

Policial militar será julgado por caso de arremesso de homem de ponte

O policial militar Luan Felipe Alves Pereira, filmado durante um incidente em que arremessou um homem de uma ponte na Zona Sul de São Paulo, enfrentará um júri popular. A decisão, divulgada recentemente pelo Tribunal de Justiça, marca um importante passo na busca por justiça em casos de abuso de autoridade dentro das forças de segurança pública.

Em 1º de dezembro de 2024, Luan foi flagrado em vídeo, enquanto realizava uma abordagem policial em uma operação no entorno de um baile funk. O fato gerou grande repercussão e levantou questões sobre a conduta de policiais em situações de abordagem. A vítima, um homem de 25 anos que atuava como motoboy, relatou que estava à procura de sua esposa quando se deparou com a operação policial. Assustado, ele abandonou a moto e tentou fugir, mas foi alvo de cassetetes e, segundo seu relato, Luan lhe disse: "Você se joga, ou eu jogo você e a moto" antes de arremessá-lo da altura de quatro metros.

A vítima sofreu ferimentos no joelho e na região do supercílio, necessitando de assistência para chegar ao hospital, onde recebeu tratamento. Após a investigação, Luan foi preso, mas obteve liberdade mediante um habeas corpus em abril de 2025, passando a responder ao processo em liberdade.

A denúncia formal contra o policial foi aceita no ano anterior, levando-o a ser considerado réu por tentativa de homicídio. Apesar dos esforços da defesa para reclassificar a acusação para lesão corporal ou abuso de autoridade, o juiz entendeu que havia evidências suficientes para que o caso prosseguisse como tentativa de homicídio.

Segundo Luan, ele agiu em resposta a uma situação de risco, afirmando que os policiais estavam sendo alvos de objetos jogados por populares durante a operação e que a moto da vítima era supostamente produto de roubo. O policial alega que a vítima desobedeceu à ordem de parada e resistiu à abordagem, o que resultou na manobra que terminou com o arremesso da ponte.

No entanto, a Justiça considerou que a conduta do policial dificultou a defesa da vítima, rejeitando as alegações da defesa. O advogado de Luan, Raul Marcolino, expressou sua insatisfação com a situação, argumentando que o policial já havia sido julgado antes, inclusive por autoridades do estado, como o governador Tarcísio de Freitas. Marcolino afirmou que não se surpreende com a decisão de levar o caso a júri, destacando a difícil realidade enfrentada por policiais nas ruas, que suportam a pressão de um sistema de segurança que, segundo ele, está falido.

O caso do policial Luan ressalta a crescente necessidade de um debate mais profundo sobre as práticas policiais no Brasil, particularmente no que diz respeito ao uso da força e às obrigações das autoridades em garantir a segurança e os direitos dos cidadãos. Ele ocorrerá em um contexto de crescente escrutínio sobre as ações das forças de segurança e suas implicações na sociedade.

Tags: Policial Militar, Justiça São Paulo, Tendências de Segurança, Júri Popular, Abuso de Autoridade Fonte: oglobo.globo.com