Ciro Gomes define futuro político em maio entre Planalto e Ceará
Em um evento realizado pelo PSDB em São Paulo, Ciro Gomes, ex-ministro e ex-governador, anunciou que tomará uma decisão sobre sua candidatura até meados de maio de 2026. O político, que já disputou a presidência em quatro ocasiões, pode escolher entre concorrer novamente ao cargo mais alto do Brasil ou ao governo do Ceará.
O discurso de Ciro centrou-se em críticas à polarização entre o PT e o PL, assim como à política econômica do país. Ele expressou sua frustração ao afirmar que foi "profundamente humilhado" na última eleição, onde seu desempenho foi considerado o pior nas quatro campanhas presidenciais que participou. Durante sua fala, o ex-ministro destacou a urgência de haver uma alternativa política no Brasil, enfatizando que a situação atual requer uma mudança significativa.
Ciro se fez notar ao detalhar seu desconforto com a política brasileira, afirmando que se sentiu "impedido de competir em condições justas" durante o último pleito, e que, não fosse a gravidade da situação, evitaria se envolver no cenário político atual.
— Na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar os parabéns nem os pêsames.
A ausência do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, no evento foi notável, especialmente dado o convite formal feito a Ciro para liderar a chapa presidencial do partido. A falta de reconhecimento público pode complicar ainda mais a relação de Ciro com seu irmão, Cid Gomes, que é aliado do atual governo do Ceará.
Em sua retórica, Ciro Gomes também criticou a convergência entre os dois principais partidos na condução da política econômica, propondo que ambos defendem políticas similares. Segundo ele, tanto o PT quanto o PL têm atuado de maneira similar, não oferecendo realmente uma alternativa ao eleitorado. Durante seu discurso, evidenciou a necessidade de discutir questões como as terras raras, que considera serem o "petróleo do século XXI".
— Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica? É tudo igual: Lula 1, Lula 2, Lula 3, Dilma 1, Dilma 2, Bolsonaro, Michel Temer. O Brasil precisa de uma alternativa.
Ciro relembrou que sua trajetória política se construiu no Ceará, onde se posicionou como uma voz de oposição ao governo de Elmano de Freitas (PT). Ele reforçou que sua decisão sobre a candidatura deve ser amadurecida, levando em consideração seu grupo político no estado.
Na ocasião, o evento também reuniu diversos pré-candidatos do PSDB a cargos eletivos no estado de São Paulo, como Paulo Serra e Ana Carolina Serra, bem como o ex-senador José Aníbal e outros representantes do partido. A movimentação de Ciro em direção a uma candidatura nacional pode deixar a oposição a Elmano sem um nome forte no Ceará, o que pode agravar ainda mais as tensões já existentes entre os irmãos Gomes.
Ciid Gomes, por sua vez, tem manifestado publicamente sua preocupação em apoiar o irmão em sua possível candidatura à presidência, mas enfrentando a possibilidade de estar em chapas opostas na disputa estadual. A separação entre os irmãos remonta a 2022, quando discordaram em escolhas importantes para o governo cearense.
Com a proximidade do prazo estabelecido por Ciro, o cenário político brasileiro continua a se desenrolar em meio a nuances e tensões que podem influenciar consideravelmente as eleições de 2026, tanto em nível nacional quanto no estado do Ceará.