As tensões políticas em São Paulo aumentaram com o uso da citação ao ex-comandante da Polícia Militar, coronel José Augusto Coutinho, em um inquérito que investiga a relação entre os agentes da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Petistas têm aproveitado essa situação para criticar as pré-candidaturas do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do deputado federal Guilherme Derrite (PP).
Essa estratégia política desencadeou uma série de postagens nas redes sociais, especialmente entre os aliados de Fernando Haddad (PT), principal adversário de Tarcísio na corrida eleitoral. Mesmo sem provas concretas, as suspeitas sobre os vínculos entre a Rota e a facção criminosa estão sendo utilizadas para desgastar os pré-candidatos. Tarcísio, por sua vez, defendeu Coutinho, afirmando que a troca no comando da PM nada teve a ver com as suspeitas levantadas.
Em uma movimentação que envolveu o uso de inteligência artificial, algumas publicações se concentraram em criticar a onda crescente de furtos de celular no estado e questionar a atuação da segurança pública. "Tem muita coisa errada em São Paulo. Por que quem tem responsabilidade pela segurança dos paulistas deixou chegar a esse ponto?", questionam os vídeos.
O deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador da campanha de Haddad, tem sido um dos mais ativos nessa discussão, compartilhando gravações que ligam Tarcísio a um empresário de funk condenado em outra operação, estabelecendo uma conexão política contenciosa.
Não obstante as reações da oposição, alguns aliados de Tarcísio argumentam que não há indícios formais de envolvimento sobre os pré-candidatos decorrentes das menções ao coronel. Eles ressaltam que não existem acusações formais ou processos em curso, minimizando o impacto sobre a imagem governamental.
Por sua vez, Derrite é um amigo próximo de Coutinho, ex-comandante que recentemente deixou o posto; a substituição da liderança se deu em um momento delicado para a segurança pública. O novo comando, liderado pela coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a assumir a posição, é uma mudança significativa, que gera expectativas diversas na corporação.
Na mesma semana em que Coutinho deixou o cargo, Tarcísio enfatizou em suas declarações que as trocas na PM são comuns e que o coronel cumpriu com excelência suas funções. Na sua visão, Coutinho possui uma reputação ilibada frente ao serviço prestado que não deve ser prejudicada por associações infundadas.
Entretanto, as revelações sobre a condução das investigações pelo MP também levantam questões sobre a atuação de promotores que, segundo algumas avaliações, poderiam ter agido de maneira mais proativa no passado, dado o conhecimento prévio das supostas irregularidades.
A Procuradoria de Justiça Militar do MP de São Paulo indicou que Coutinho poderá responder por prevaricação e condescendência criminosa, interferindo na avaliação de sua conduta durante seu comando.
A defesa do coronel afirmou que a mera citação em um inquérito não implica automaticamente em responsabilidade e que ele não foi alvo de quaisquer investigações negativas por seu trabalho na PM. Frases como “a mera citação não implica juízo de responsabilidade” foram utilizadas para tentar distanciar Coutinho das polêmicas levantadas.
A Secretaria de Segurança Pública, por sua vez, manifestou-se ao informar que não comenta investigações em andamento, mas garantiu que apurações rigorosas seguem seu curso de acordo com a lei, obedecendo ao devido processo legal.