Cientistas americanos controlam evolução da pré-eclâmpsia em grávidas com técnica de filtragem sanguínea

Por Autor Redação TNRedação TN

Um avanço promissor no combate à pré-eclâmpsia foi anunciado por um grupo de cientistas americanos. A doença, que provoca hipertensão descontrolada em gestantes e representa risco significativo para a mãe e o feto, teve sua evolução controlada por meio de uma técnica inovadora chamada aférese, que consiste na filtragem do sangue.

O que é a pré-eclâmpsia e seus riscos

A pré-eclâmpsia é uma condição que afeta mulheres grávidas, caracterizada pela elevação perigosa da pressão arterial. Nos casos mais graves, pode evoluir para a eclâmpsia, que provoca convulsões e aumenta consideravelmente os riscos para a gestante e o bebê. Atualmente, o tratamento disponível é apenas paliativo, e a melhora costuma ocorrer somente após o parto, o que frequentemente leva a partos prematuros para proteger a saúde da mãe.

Aférese: a técnica que pode mudar o tratamento

A aférese é uma técnica que permite a filtragem do sangue para remover substâncias nocivas. No estudo piloto conduzido nos Estados Unidos, sete gestantes com diagnóstico de pré-eclâmpsia foram submetidas a essa terapia experimental. O procedimento consistiu em extrair o sangue das pacientes, remover uma proteína específica associada à doença, chamada tirosina-kinase-1 de forma FMS (sFlt-1), e devolver o sangue tratado às pacientes.

Importância da proteína sFlt-1

A proteína sFlt-1 é produzida pela placenta e está relacionada à elevação da pressão arterial em gestantes com pré-eclâmpsia. Estudos anteriores já indicavam que o acúmulo dessa molécula no sangue contribui para a evolução da doença.

Resultados do estudo piloto

As voluntárias que receberam a aférese conseguiram prolongar a gestação por um período médio de 10 dias, mais do que o dobro do tempo observado em pacientes que receberam o tratamento convencional, que foi de 4 dias. Embora essa extensão pareça pequena, ela pode ser crucial para o desenvolvimento fetal, especialmente em casos de pré-eclâmpsia que se manifestam na primeira metade da gravidez.

Os pesquisadores destacaram que a redução da pressão arterial média após a aférese teve forte correlação com a diminuição dos níveis de sFlt-1 no sangue das pacientes. Além disso, a técnica mostrou-se bem tolerada pelas gestantes, mesmo aquelas com pré-eclâmpsia muito precoce.

Testes pré-clínicos e segurança

Antes de aplicar a técnica em gestantes, os cientistas realizaram testes pré-clínicos em macacos babuínos, nos quais a concentração de sFlt-1 foi reduzida pela metade após o procedimento. Também foram realizados testes em voluntárias saudáveis não gestantes para avaliar possíveis efeitos colaterais, garantindo a segurança da terapia.

Perspectivas futuras

Embora os resultados sejam promissores, os autores ressaltam que o estudo ainda é limitado e não representa uma solução definitiva. A pesquisa qualifica a técnica para ensaios clínicos de fases I e II, que envolverão grupos maiores de voluntárias para avaliar a eficácia e segurança da aférese no tratamento da pré-eclâmpsia.

"Embora sejam necessários ensaios clínicos controlados para determinar se essa estratégia prolonga a gravidez de forma segura e eficaz em casos de pré-eclâmpsia muito prematura, nosso estudo fornece a base necessária para abordar uma das complicações mais devastadoras da gravidez", afirmou Ravi Thadhani, líder da pesquisa no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles.

Este avanço representa uma esperança para gestantes que enfrentam a pré-eclâmpsia, podendo futuramente reduzir os riscos associados à doença e melhorar os desfechos para mães e bebês. A possibilidade de prolongar a gestação, mesmo que por alguns dias, é especialmente relevante, pois o desenvolvimento fetal depende muito do tempo de permanência no útero, e cada dia adicional pode significar ganhos importantes na saúde do bebê.

Além disso, a aférese, ao atuar diretamente na remoção da proteína sFlt-1, oferece uma abordagem mais direcionada do que os tratamentos paliativos atuais, que apenas controlam os sintomas sem interferir na causa da doença. Essa inovação pode abrir caminho para novas terapias que atuem na raiz da pré-eclâmpsia, reduzindo complicações e melhorando a qualidade de vida das gestantes.

Os pesquisadores enfatizam que, apesar dos resultados iniciais serem animadores, é fundamental que os próximos estudos envolvam um número maior de participantes para confirmar a segurança e a eficácia da técnica. Somente com ensaios clínicos mais amplos será possível determinar se a aférese poderá ser incorporada como tratamento padrão para a pré-eclâmpsia, especialmente em casos de diagnóstico precoce.

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