Zona Sul de São Paulo se torna novo epicentro de roubos de celular
Ocorrências envolvendo celulares, especialmente da Apple, apresentam um crescimento alarmante em 2025, em contrapartida com a diminuição dos casos em outras partes da cidade. Dados exclusivos do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO, revelam que a Zona Sul, especificamente três distritos, virou o novo centro desse tipo de crime.
Os distritos de Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio experimentaram uma escalada de assaltos, com um total de 4.852 roubos registrados, o que representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Ao contrário da tendência geral de queda nos roubos no Centro expandido de São Paulo, os números na periferia mostram um cenário preocupante.
Enquanto a capital teve uma redução de 15,5% nos roubos de celulares, a Zona Sul vive uma realidade oposta, especialmente em relação aos iPhones. No Jardim Herculano, por exemplo, o aumento foi de 37,1% nos roubos, subindo de 782 em 2024 para 1.072 em 2025. No Parque Santo Antônio e no Capão Redondo, os aumentos foram de 23,7% e 1,57%, respectivamente, este último tornando-se o distrito com o maior número de roubos, totalizando 2.330 ocorrências.
Fatores por trás do aumento nos roubos
O aumento significativo dos roubos de iPhones na região sugere uma mudança no perfil dos criminosos e suas preferências. O foco na marca da Apple, que na média geral de São Paulo teve uma redução de 1,8% nos roubos (de 21.703 para 21.320), revela uma polarização nas zonas de criminalidade.
A Estrada do M'Boi Mirim, principal via da região, chegou a registrar 201 roubos em 2025, sendo a quarta mais perigosa da cidade. "Sinto que estamos abandonados. Me dá medo sair de casa. Não temos segurança nenhuma" afirma uma moradora que já vivenciou diversas situações de assalto.
O impacto das mudanças na criminalidade
A escalada dos roubos na periferia de São Paulo pode ser atribuída a dinâmicas socioculturais e de criminalidade. Especialistas argumentam que há uma mudança geracional nas organizações criminosas, com novas lideranças demonstrando mais tolerância em relação ao crime patrimonial.
Estudos indicam que grande parte dos celulares roubados não apenas alimenta a revenda local, mas também se conecta a operações criminosas que envolvem fraudes financeiras e envio para outros continentes. Parte considerável dos iPhones subtraídos tem sido destinada a quadrilhas que operam com desvios e comércio ilegal.
Resposta das autoridades
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que suas análises não estão estruturadas por marca de aparelho, mas que sempre que variações são identificadas, há reavaliação operacional. No entanto, a resposta efetiva a esse aumento de crimes ainda é questionada pela população afetada, que clama por mais segurança nas ruas.
Com um mapeamento detalhado pelo Mapa do Crime, a população pode acompanhar a evolução dos casos e tomar precauções em suas rotinas diárias. A tecnologia se mostra uma aliada na luta contra a criminalidade, refletindo a urgência de medidas eficazes no combate aos assaltos de celulares na capital.