Roger Sweet, o designer responsável por criar o He-Man — o herói que ensinou uma geração a gritar “Eu tenho a força!” —, morreu nesta terça-feira, 28, aos 91 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Marlene Sweet. Nos últimos anos, Sweet travava uma batalha contra a demência, internado em uma clínica especializada em Everett, no estado de Washington, nos EUA. Nascido em Akron, Ohio, em 1935, Roger Sweet construiu uma carreira sólida muito antes de se tornar um ícone da cultura pop. Formado em design, ele trabalhou para gigantes como Procter & Gamble e Boeing, onde chegou a projetar interiores de aviões 747. No entanto, foi na fabricante de brinquedos Mattel que ele alcançaria a fama que o tornaria um nome conhecido mundialmente. No final dos anos 1970, a Mattel havia perdido a oportunidade de produzir os brinquedos de Star Wars — um erro que custou à empresa uma fortuna. A missão de Sweet era criar algo que preenchesse esse vazio no mercado de brinquedos. Em 1980, ele entrou em uma reunião com três protótipos de argila: figuras musculosas representando um bárbaro, um soldado espacial e um homem-tanque. A ideia central era simples — um nome genérico como “He-Man” permitia que qualquer criança encaixasse o personagem em qualquer brincadeira, tornando-o versátil e atraente para o público infantil. Lançada em 1982, a linha Mestres do Universo se tornou um fenômeno global. Impulsionada por uma série animada de sucesso, que também foi exibida no Brasil, a linha gerou mais de 1 bilhão de dólares em vendas apenas entre 1982 e 1986. O impacto cultural de He-Man foi imenso, com o personagem se tornando um símbolo da infância de muitos, e sua famosa frase “Eu tenho a força!” ecoando nas memórias de uma geração. Entretanto, a história do criador guarda uma ironia cruel. Por ter desenvolvido o personagem como funcionário contratado da Mattel, Sweet nunca recebeu royalties por nenhuma venda, série ou filme. Enquanto o universo de He-Man faturava bilhões, ele enfrentou dificuldades financeiras sérias para custear seu tratamento de saúde. Sua esposa, Marlene, precisou abrir uma campanha de arrecadação online na plataforma GoFundMe; fãs do mundo inteiro doaram cerca de 100 mil dólares — um contraste gritante com a contribuição de apenas 4 a 5 mil dólares da própria Mattel, que se beneficiou enormemente da criação de Sweet. Sweet parte sem ver a mais recente homenagem à sua obra: um novo filme de He-Man, Mestres do Universo, que tem estreia confirmada nos cinemas brasileiros para 4 de junho, produzido pela Amazon/MGM com orçamento milionário. Ele nos deixou semanas antes do lançamento, o que traz um tom de tristeza à sua partida, pois ele não pôde testemunhar o renascimento de seu icônico personagem nas telonas. Em seu livro de 2005, Mastering the Universe, Sweet registrou para a história como tudo começou, compartilhando detalhes sobre o processo criativo que levou à criação de He-Man e seus companheiros. E até o fim, ele manteve o carinho pelos fãs — seu último gesto foi assinar, já debilitado, um mini-quadrinho para um admirador, mostrando que, apesar das dificuldades, seu amor pela criação e pelos fãs nunca diminuiu. A trajetória de Roger Sweet é um lembrete poderoso sobre a importância do reconhecimento e da valorização do trabalho criativo, especialmente em uma indústria que muitas vezes se esquece de honrar aqueles que a tornam possível.
Tags: Roger Sweet, He-Man, Mestres do Universo, Mattel, Demência Fonte: veja.abril.com.brEu tenho a Força!: Criador do He-Man morre, aos 91 anos, nos Estados Unidos
Eu tenho a Força!: Criador do He-Man morre, aos 91 anos, nos Estados Unidos