A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, que está sob prisão domiciliar, fez declarações contundentes em uma entrevista exclusiva à TV Bahia, onde negou qualquer relação amorosa com o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, e reforçou o envolvimento do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) na facilitação da fuga de detentos. Joneuma, que já passou mais de um ano detida por seu papel na fuga, admitiu que facilitou a saída de 16 detentos em um plano que envolveu um acordo financeiro com Uldurico Júnior. Durante a entrevista, Joneuma afirmou que o acordo para a fuga foi estabelecido após uma negociação que previa o pagamento de R$ 2 milhões.
Ela alegou que, embora tenha feito "vista grossa" para o plano de fuga, nunca recebeu qualquer quantia em troca de sua colaboração. "Como está no processo, a facilitação da fuga se deu por um acordo entre o ex-deputado Uldurico Júnior e Ednaldo. Após uma negociação com alguns valores, foi combinado que seriam R$ 2 milhões para facilitar, fazer uma vista grossa em relação ao planejamento dessa fuga", disse Joneuma.
A ex-diretora também mencionou que Dada fez um adiantamento de cerca de R$ 200 mil, que foi entregue em caixas de sapato, além de transferências via PIX. Joneuma negou que tenha tido um relacionamento amoroso com Dada, afirmando que as especulações sobre esse suposto vínculo a prejudicaram, especialmente em relação à paternidade de sua filha, que ela afirma ser de Uldurico Júnior. "Tanto que até cogitaram que minha filha fosse filha dele, e o que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024", criticou.
O juiz Otaviano Sobrinho, responsável pelo caso, também foi entrevistado e revelou que está utilizando colete à prova de balas devido a ameaças relacionadas ao caso. Ele destacou que a investigação sobre a fuga em massa levou ao afastamento de toda a diretoria do Conjunto Penal de Eunápolis. O plano de fuga, que inicialmente visava a saída de apenas dois detentos, resultou na fuga de 16, mas até agora apenas três foram recapturados, com dois deles mortos em confrontos com a polícia.
A fuga ocorreu em 12 de dezembro de 2024, e desde então, a polícia tem buscado Dada, que permanece foragido. Recentemente, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público da Bahia, tentou capturá-lo, mas sem sucesso. Joneuma, por sua vez, continua a cumprir prisão domiciliar enquanto aguarda o desdobramento de sua delação premiada, que está sendo analisada pelo Ministério Público da Bahia.
As defesas de Uldurico Júnior e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que também foi mencionado na delação, negaram as acusações e afirmaram que estão colaborando com a Justiça. A defesa de Uldurico Júnior classificou as alegações como falsas e afirmou que ele nunca teve conhecimento de qualquer plano de fuga. Geddel, por sua vez, expressou indignação ao saber que seu nome foi utilizado na delação, afirmando que não tinha relação com Joneuma e que as acusações eram infundadas.
A situação em torno da fuga e as declarações de Joneuma Neres continuam a gerar repercussão na sociedade e nas esferas políticas da Bahia, levantando questões sobre a segurança nas unidades prisionais e a corrupção dentro do sistema penitenciário.