A União Europeia (UE) está considerando a implementação de uma taxa de carbono sobre voos internacionais que partem do bloco, uma medida que pode gerar resistência significativa de países como os Estados Unidos e de outras nações parceiras, especialmente em um momento em que os preços dos combustíveis estão em alta. A proposta foi discutida em uma reunião recente entre autoridades climáticas da Comissão Europeia e representantes da indústria de aviação, além de organizações não governamentais, conforme relataram fontes do setor. Atualmente, o sistema de comércio de emissões da UE (ETS) já abrange voos dentro do bloco, mas não inclui rotas internacionais.
Isso significa que, enquanto uma companhia aérea deve pagar por suas emissões de carbono em um voo de Dublin a Paris, voos de Paris a Nova York estão isentos dessa taxa. A Comissão Europeia argumenta que é hora de estender o ETS para incluir voos internacionais, uma vez que outras tentativas de reduzir as emissões do setor aéreo não têm sido eficazes. A resistência à proposta é esperada, especialmente entre companhias aéreas que operam em rotas de longa distância, como British Airways e Air France, que dependem fortemente de lucros provenientes dessas rotas.
A introdução de uma taxa de carbono poderia aumentar significativamente os custos das passagens aéreas, com estimativas sugerindo que a medida poderia adicionar cerca de 45 euros ao custo médio de uma passagem internacional até 2030. Isso poderia gerar receitas de até 17 bilhões de euros para a UE e seus Estados-membros, um valor que poderia ser utilizado para investimentos em energia limpa e outras iniciativas ambientais. Por outro lado, companhias aéreas de baixo custo, como Ryanair e easyJet, já expressaram preocupações de que a taxa de carbono poderia incentivar os consumidores a escolherem destinos fora da Europa, onde as tarifas seriam mais baratas devido à ausência dessa taxa.
Essa situação poderia criar um cenário em que férias na Turquia se tornariam significativamente mais acessíveis do que na Grécia, por exemplo. A proposta de estender o ETS para voos internacionais não é nova; a UE já havia aprovado uma lei para isso há mais de uma década, mas a implementação foi adiada repetidamente devido à forte oposição de países como os EUA. Com o aumento dos preços dos combustíveis de aviação, que dobraram desde o início do conflito no Oriente Médio, a pressão sobre as companhias aéreas tem aumentado, levando-as a fazer lobby contra regulamentações que poderiam encarecer ainda mais suas operações.
Além da taxa de carbono, a Comissão Europeia está avaliando outras propostas que podem impactar o setor aéreo, incluindo a exigência de que as empresas relatem como estão utilizando permissões gratuitas de CO2 para investir em descarbonização. Organizações ambientais têm pressionado por uma ação mais contundente, apontando para as altas emissões do setor de aviação e a necessidade de uma abordagem mais rigorosa para reduzir a pegada de carbono. Embora a aviação represente apenas 3% das emissões globais relacionadas à energia, suas emissões na Europa aumentaram 30% desde que o ETS foi implementado em 2005, enquanto as emissões de outros setores têm diminuído.
Isso levanta questões sobre a eficácia do sistema atual e a necessidade de uma revisão abrangente das políticas de emissões da UE. A discussão sobre a taxa de carbono em voos internacionais é parte de um debate mais amplo sobre como a Europa pode liderar a transição para uma economia de baixo carbono, especialmente em um momento em que a pressão para agir em relação às mudanças climáticas é mais intensa do que nunca. A resistência esperada dos EUA e de outros parceiros comerciais pode complicar a implementação dessa proposta, mas a UE parece determinada a avançar com suas metas climáticas, mesmo diante de desafios significativos.