Coalizão da indústria pede que leilão de energia não seja homologado

Por Autor Redação TNRedação TN

Coalizão da indústria pede que leilão de energia não seja homologado

A recente polêmica em torno do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026 ganhou novos contornos com a manifestação de uma coalizão composta por cerca de 70 associações e federações da indústria nacional, que se uniram sob o movimento denominado "União pela Energia". Este grupo expressou preocupações significativas sobre o impacto que a homologação dos resultados do leilão pode ter sobre os custos de energia no Brasil. O leilão, realizado em março, já estava cercado de controvérsias e agora enfrenta um questionamento ainda mais intenso por parte de diversas empresas e organizações do setor elétrico.

A coalizão argumenta que a homologação do LRCAP 2026 pode resultar em um aumento estimado de R$ 515 bilhões nos custos para as indústrias, o que representaria um acréscimo de até 12% nas tarifas de energia. Essa previsão alarmante levanta questões sobre a viabilidade econômica para as empresas, especialmente em um cenário onde a competitividade é crucial. Entre as principais reclamações da coalizão estão as contratações feitas durante o leilão, que, segundo eles, carecem de comprovação técnica adequada.

Além disso, os participantes do movimento criticam os deságios baixos nas rodadas do leilão e o aumento quase que abrupto de quase 100% no preço-teto em um intervalo de apenas 72 horas, sem uma justificativa técnica clara. "Os consumidores de energia classificam como insustentáveis os resultados do LRCAP, com indicativo de manutenção apenas dos empreendimentos que atenderão o período de 2026 a 2028. Há tempo para se buscar alternativas mais sustentáveis para os anos seguintes", afirma um documento divulgado pela coalizão.

Essa declaração reflete a urgência de uma revisão nas diretrizes que regem o setor elétrico, especialmente em um momento em que a sustentabilidade e a eficiência energética são mais do que nunca prioridades globais. O LRCAP 2026 não é apenas um tema de debate entre os industriais, mas também se tornou alvo de investigações por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). Embora o TCU tenha decidido não suspender o leilão, abriu uma frente de investigação sobre possíveis irregularidades, incluindo a atuação de empresas que são classificadas como "geradoras de papel", que ganham disputas sem a capacidade real de executar os projetos propostos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também se viu obrigada a adiar a homologação dos resultados do leilão, retirando o tema da pauta prevista para a próxima terça-feira (19). Essa decisão foi motivada pela incerteza jurídica gerada pelas ações judiciais em curso, que refletem a complexidade e a tensão em torno do tema. A situação atual levanta questões sobre a transparência e a responsabilidade na gestão do setor elétrico brasileiro.

A falta de clareza sobre os critérios que definiram os preços-teto de R$ 2,25 milhões por MW/ano para termelétricas existentes e de R$ 2,9 milhões para novas, bem como a ausência de alternativas de menor custo, como baterias e resposta da demanda, são pontos que precisam ser abordados com urgência. Além disso, a coalizão questiona se as contratações compulsórias aprovadas pelo Congresso foram devidamente contabilizadas nos estudos de necessidade. Essa falta de clareza e a percepção de que as decisões estão sendo tomadas sem a devida fundamentação técnica podem gerar um clima de desconfiança entre os investidores e consumidores de energia.

A expectativa é que, com a pressão crescente da coalizão e a investigação em andamento, haja uma revisão das práticas atuais e uma busca por soluções que garantam não apenas a viabilidade econômica das indústrias, mas também a sustentabilidade do sistema elétrico brasileiro. O futuro do setor elétrico no Brasil pode depender de como essas questões serão resolvidas nos próximos meses.

Tags: leilão de energia, homologação, custo de energia, coalizão da indústria, União pela Energia Fonte: redir.folha.com.br