A Polícia Federal (PF) rejeitou o acordo de delação premiada proposto por Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. A decisão foi tomada após uma avaliação rigorosa dos termos apresentados, que, segundo os investigadores, não trouxeram informações relevantes que justificassem a aceitação do acordo. Os investigadores consideraram que as informações fornecidas por Vorcaro não iam além das provas já obtidas nas apurações em andamento.
O ex-banqueiro, que vinha negociando o acordo com a PF e a Procuradoria Geral da República (PGR), ainda tem a possibilidade de reabrir as negociações e apresentar novos fatos que possam convencer os investigadores a reconsiderar a decisão. No entanto, fontes próximas ao caso afirmam que será difícil para ele encontrar uma brecha que permita reverter a avaliação negativa da PF. Uma das principais críticas à proposta de delação de Vorcaro foi a falta de admissão de fatos que constam nos aparelhos celulares apreendidos pela polícia.
Além disso, os investigadores apontaram que ele não cumpriu os requisitos de boa-fé exigidos para acordos de colaboração. Em vez de admitir os crimes cometidos, Vorcaro teria tentado justificar suas ações, o que contraria as regras da delação premiada, que exigem a confissão de todos os ilícitos em que o colaborador esteve envolvido. A defesa de Vorcaro pode ainda tentar uma negociação direta com os procuradores, excluindo a PF do processo.
Para que isso ocorra, a PGR precisaria aprovar informações que até então foram rejeitadas pela PF. Contudo, alguns termos da proposta de Vorcaro também enfrentam resistência na PGR, como a proposta de devolver cerca de R$ 40 bilhões em um prazo de dez anos. As autoridades, incluindo a PF e a PGR, consideram que o valor a ser ressarcido deve ser de R$ 60 bilhões, correspondente ao montante que ele teria desviado em fraudes no Banco Master, e em um prazo mais curto.
Daniel Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades acreditam que os termos aplicados a ele nas negociações devem ser rigorosos. Os custos da quebra do Banco Master já superam os R$ 57 bilhões, com estimativas de que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que ressarcir os clientes em cerca de R$ 51,8 bilhões. O valor total das perdas ainda é desconhecido.
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, quando tentava embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A PF alega que ele tentava fugir do país, enquanto Vorcaro argumenta que sua intenção era encontrar investidores interessados na compra do Banco Master. Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, durante a operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Atualmente, Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal. Recentemente, ele foi transferido para uma cela comum, após ter estado em uma cela preparada para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar. A equipe de defesa de Vorcaro, até então, havia rejeitado a possibilidade de uma delação, insistindo que ele poderia explicar todas as acusações no mérito do processo.
Enquanto isso, a PF continua a realizar novas fases de operações relacionadas ao caso. No último dia 7, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que é investigado por supostos recebimentos de quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel. Além disso, Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi preso em Belo Horizonte, sendo investigado por sua participação em um grupo criminoso que teria praticado atos de intimidação e invasões a dispositivos informáticos.