XP discute com BB potencial entrada no socorro ao BRB

Por Autor Redação TNRedação TN

XP discute com BB potencial entrada no socorro ao BRB

A XP e o Banco do Brasil (BB) estão em conversações sobre a possível participação da corretora no consórcio de grandes bancos que irá auxiliar na operação de resgate do Banco de Brasília (BRB). A iniciativa surge após os prejuízos enfrentados pelo BRB, que ocorreram devido à aquisição de carteiras de crédito e outros ativos sem lastro do conglomerado Master. A informação foi confirmada por fontes próximas às negociações, que indicaram que a XP entrou em contato com o BB para obter mais detalhes sobre a operação.

O Banco do Brasil está coordenando o socorro ao BRB, e há uma pressão nos bastidores para que a XP se envolva no resgate, especialmente após sua participação significativa na venda de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do banco de Daniel Vorcaro. A XP e o BTG Pactual foram as instituições que mais venderam papéis do Master, com a XP tendo cerca de R$ 30 bilhões em títulos distribuídos, enquanto o BTG ficou com R$ 6,6 bilhões. Juntas, essas duas corretoras representaram mais de 70% da captação com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) emitida pelo banco de Vorcaro.

A estratégia de Vorcaro, que liderava o Master, era oferecer CDBs com alta remuneração, utilizando a segurança do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF. Essa abordagem atraiu muitos investidores, mas também gerou críticas de grandes bancos de varejo, como o Itaú Unibanco. O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, comentou que eventos dessa magnitude impactam a sociedade, elevando o custo de captação de novos empréstimos e afetando o preço dos investimentos.

Os bancos têm solicitado ao Banco Central uma maior responsabilidade das plataformas que vendem ativos, e o órgão está considerando mudanças para aumentar a transparência sobre potenciais conflitos de interesse na venda de títulos bancários, como os CDBs. O Itaú e o Bradesco, quando procurados, optaram por não comentar a situação, enquanto BTG Pactual, Santander e Caixa não responderam aos pedidos de informação. As negociações para o empréstimo ao BRB pelo FGC são mantidas em sigilo, e os detalhes só serão divulgados se todas as partes concordarem.

O FGC, por sua vez, não comenta casos específicos. Durante as tratativas com o Master, a XP não estava entre as instituições que demonstraram interesse em participar de uma solução privada para o banco. A operação em questão envolve a concessão do valor integral do empréstimo pelo FGC ao governo do Distrito Federal, com um pool de bancos, incluindo as maiores instituições do país, oferecendo uma fiança bancária ao empréstimo do FGC.

Essa fiança deverá ser garantida por recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB, não comentou diretamente sobre o interesse da XP na operação, mas confirmou que o BB está liderando as conversas com outros bancos após um acordo firmado com o governo federal e a governadora do DF, Celina Leão. Souza destacou que a fiança bancária deve ser fornecida por instituições como Caixa, BB, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e BTG, todas integrantes do grupo S1.

Ele também mencionou que, durante uma negociação de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), um dos pontos discutidos foi a urgência na concretização do empréstimo. A expectativa é que o FGC empreste cerca de R$ 6,6 bilhões ao governo do DF, que controla o BRB. O balanço do banco deve ser divulgado até o final de junho.

O BRB está preparando um novo plano de negócios para sua reestruturação, que será apresentado ao pool de bancos e incluirá cortes de despesas e um foco renovado em sua atuação em Brasília e nas áreas adjacentes. O banco solicitou ao FGC um empréstimo com prazo de 15 anos, 18 meses de carência e uma taxa de juros atrelada ao IPCA, embora ainda não haja garantia de que o FGC aceitará essas condições. O presidente do BRB afirmou que as negociações estão avançadas e que a engenharia financeira da operação permanece inalterada.

Tags: Banco de Brasília, Banco do Brasil, XP, socorro, Resgate, FGC Fonte: jornaldebrasilia.com.br