O preço do petróleo apresentou uma queda significativa nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, atingindo seu menor valor em duas semanas. O barril Brent, que é a referência mundial, caiu 3,49%, sendo cotado a US$ 82,87 (aproximadamente R$ 423,63) para o contrato de outubro, que foi o mais negociado no dia. Essa redução nos preços é atribuída à retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao Oceano Índico, além de um quarto dia de trégua nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
A situação geopolítica tem um impacto direto nos preços do petróleo. O barril Brent havia alcançado um pico de US$ 102 na última quinta-feira, 23 de julho, antes de a situação se estabilizar. O preço atual representa uma queda acentuada desde que, em 13 de julho, o barril estava cotado a US$ 77,28, em um período de cessar-fogo entre os dois países.
Após esse acordo, os EUA e o Irã trocaram ataques por 13 dias, até o último sábado, 25 de julho. Além do Brent, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, também viu uma queda, sendo negociado a US$ 80,99 (R$ 414,02), uma redução de 1,95% às 10h40, para o contrato de setembro. O contrato de entrega em outubro do WTI estava cotado a US$ 78,97 (R$ 403,69).
Os negociadores do mercado de petróleo estão mais calmos com a suspensão dos ataques e a retomada gradual do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que é uma rota crucial para o escoamento da produção de petróleo da Arábia Saudita, especialmente com o bloqueio no estreito de Hormuz. A empresa de dados marítimos Kpler reportou que 28 navios passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb na segunda-feira, 27 de julho, a maior marca dos últimos quatro dias, embora ainda abaixo dos 46 navios registrados em 14 de julho. O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou que as negociações com o Irã estavam avançando e poderiam levar a uma resolução pacífica, mas também alertou que a ação militar poderia ser retomada caso as negociações não progredissem.
O Irã, por sua vez, fez declarações semelhantes sobre possíveis retaliações. Nesta terça-feira, Omã apresentou uma proposta aos iranianos para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do estreito de Hormuz, com taxas voluntárias. Essa proposta, que conta com apoio regional, foi apresentada a autoridades iranianas no fim de semana em Teerã.
O objetivo é que o Irã não exerça controle exclusivo sobre essa via navegável vital, semelhante ao que ocorre no Estreito de Malaca, que é administrado em conjunto pelos países que fazem fronteira com ele, como Indonésia, Malásia e Singapura. De acordo com a proposta, os países que utilizam o Estreito de Ormuz contribuiriam voluntariamente para um fundo que financiaria os custos de gestão da navegação, proteção ambiental e serviços de busca e resgate. No entanto, o Irã já afirmou que pretende manter o controle sobre Hormuz, enquanto os EUA pressionam para assumir essa responsabilidade.
Esse embate se tornou um dos principais obstáculos nas negociações para pôr fim à guerra e um ponto de tensão que pode levar a novos confrontos. A queda nos preços do petróleo pode ter implicações significativas para a economia global, especialmente para países que dependem fortemente das exportações de petróleo. A volatilidade dos preços do petróleo é um reflexo não apenas das condições de mercado, mas também das complexas dinâmicas políticas que envolvem os principais produtores e consumidores de petróleo no mundo.
À medida que a situação no Oriente Médio continua a evoluir, os mercados de petróleo permanecerão atentos a qualquer sinal de mudança nas relações entre os EUA e o Irã, bem como a outras questões geopolíticas que possam afetar a oferta e a demanda de petróleo.