A acusação de lavagem ligada ao PCC levou o Ministério Público de São Paulo a denunciar 18 pessoas. Segundo a Promotoria, o grupo teria movimentado clandestinamente mais de R$ 98 milhões em três anos, com valores atribuídos ao tráfico de drogas e a caça-níqueis. A denúncia foi apresentada à Justiça na terça-feira (3), segundo a Folha de S.Paulo.
A Promotoria afirma que empresas de diferentes setores da região metropolitana de São Paulo teriam sido usadas nas operações. Entre elas estão negócios de comércio e locação de veículos, distribuidoras de medicamentos, supermercados, açougues, transportadoras, construtoras e empresas de tecnologia.
Denúncia descreve intermediários e depósitos
O foco da denúncia são suspeitos apontados como intermediários, coletores de dinheiro e “laranjas”. Segundo a Promotoria, o grupo buscava ocultar a origem dos valores, quem controlava as contas e quem eram os beneficiários finais.
Entre os métodos descritos está a chamada “compra de dinheiro”: suspeitos receberiam valores em espécie e, em contrapartida, fariam depósitos em contas indicadas por quem fornecia o numerário. A denúncia também aponta Eduardo Moreno Lopes como suposto coordenador do esquema. Ele teria operado contas de empresas registradas em nome de terceiros.
A Promotoria ainda aponta a Key Car, loja de veículos em Osasco, como um meio importante das transações. Segundo a acusação, os sócios da empresa estavam presos desde dezembro.
Defesas contestam a acusação
Advogados dos denunciados negam que tenha havido lavagem de dinheiro e afirmam que a origem dos valores pode ser comprovada. A reportagem também informa que as defesas contestam a atribuição de origem ilícita a todo o montante apontado pela Promotoria.
A denúncia é desdobramento da Operação Falso Mercúrio, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro de 2025, que levou ao bloqueio de patrimônio de investigados. Outros 17 réus, em dois processos ligados à operação, respondem a acusações que incluem tráfico, jogos de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A reportagem informa ainda que 13 empresas investigadas firmaram ao menos 66 contratos com 11 prefeituras paulistas ao longo de quatro anos.