Um foguete Falcon 9 da SpaceX, que deveria ter retornado à Terra após o lançamento de duas sondas lunares em janeiro de 2025, ficou preso em uma órbita elíptica ao redor da Terra e agora está em rota de colisão com a Lua. O analista orbital Bill Gray, criador do software de rastreamento de objetos Project Pluto, analisou a trajetória do estágio superior do foguete e previu que ele colidirá com a superfície lunar a uma velocidade de 8. 700 km/h (5.
400 mph) no dia 5 de agosto, às 2h44 (horário de Brasília). Essa velocidade é equivalente a sete vezes a velocidade do som. Gray destacou que essa colisão não representa perigo para ninguém, mas ressalta a falta de cuidado na disposição de equipamentos espaciais que se tornam lixo espacial.
O Falcon 9 foi lançado em 15 de janeiro de 2025, transportando os landers Blue Ghost da Firefly Aerospace e Resilience da ispace. Enquanto o Blue Ghost pousou com sucesso e capturou imagens impressionantes do pôr do sol lunar, o Resilience sofreu um acidente e não completou sua missão. Após a separação dos landers, o estágio superior do Falcon 9 não conseguiu reentrar na atmosfera e, desde então, tem feito passagens próximas à Terra e à Lua, mas sem risco de impacto.
Até fevereiro, os astrônomos haviam registrado 1. 053 observações do foguete, que orbita a Terra em um percurso irregular, levando cerca de 26 dias para completar uma volta. Em seu ponto mais próximo, ele chega a 220.
000 km da Terra e, no mais distante, a 510. 000 km, o que o coloca dentro do espaço cislunar. Gray explicou que as órbitas da Lua e do foguete se cruzam, mas normalmente um passa pelo ponto de interseção enquanto o outro está em outro lugar.
No entanto, em 5 de agosto, ambos estarão no mesmo ponto ao mesmo tempo. Com base em seus cálculos, Gray acredita que o estágio superior deve atingir a superfície lunar do lado visível da Lua, mas a localização exata do impacto ainda pode mudar. Ele espera ter dados suficientes para refinar a previsão do ponto de impacto até agosto, podendo determinar a localização com precisão de alguns metros e frações de segundo.
Embora a colisão ocorra no lado visível da Lua, é improvável que seja observada da Terra. Em 2009, a NASA colidiu deliberadamente um foguete na superfície lunar para investigar a presença de gelo, mas os telescópios não conseguiram registrar o impacto. Essa situação do Falcon 9 destaca a crescente preocupação com o lixo espacial, já que a quantidade de objetos lançados ao espaço tem aumentado, trazendo consequências para a astronomia, a qualidade do ar e, em casos raros, a segurança humana.
Alguns objetos que reentraram na atmosfera sem se desintegrar durante a descida acabaram caindo em áreas povoadas, com alguns até atingindo casas. Felizmente, a colisão deste foguete com a Lua não causará danos significativos à superfície lunar. Como Gray observou, é preferível que o lixo espacial atinja a Lua do que a Terra.
Mesmo que o estágio superior estivesse a caminho de reentrar na atmosfera da Terra, ele se desintegraria ao entrar. A jornada deste objeto será fascinante de acompanhar nos próximos meses, e a data do impacto em 5 de agosto deve ser marcada no calendário dos entusiastas do espaço. Essa situação não apenas ilustra os desafios da exploração espacial, mas também a necessidade urgente de uma gestão mais responsável do lixo espacial, que se torna cada vez mais um problema à medida que mais missões são lançadas ao espaço.