Novas tarifas de até 50% sobre importações, implementadas pela administração Trump entre 5 e 9 de abril de 2025, prometem impactos significativos para a economia dos Estados Unidos e a economia global. O objetivo, segundo fontes governamentais, é proteger a "soberania nacional" do país em meio a incertezas comerciais que envolvem 57 países-alvo.
O Wharton Budget Model (PWBM) prevê uma redução de 6% no PIB dos EUA e uma diminuição de 5% nos salários a longo prazo. Para as famílias de classe média, o impacto financeiro total poderá chegar a impressionantes US$ 22 mil, contabilizando a elevação dos preços e a perda de renda.
O J.P. Morgan também faz suas previsões, apontando uma queda do crescimento global para 1,4% no último trimestre de 2025, em comparação com os 2,1% verificados no começo do ano. A repercussão dessas tarifas não se limita às fronteiras dos EUA, uma vez que países como China, Canadá e União Europeia já implementaram retaliações a exportações norte-americanas que somam cerca de US$ 330 bilhões.
A Tax Foundation alertou que estas retaliações podem resultar numa redução de 0,2% no PIB dos EUA e provocar uma queda de US$ 132 bilhões nas receitas federais ao longo da próxima década. Em um cenário mais extremo, a imposição de tarifas universais de 10% e adicionais de 60% sobre a China pode reduzir o PIB global em até 1%.
A incerteza política causada por essa guerra comercial tem um efeito direto no sentimento empresarial, levando diversas companhias a reavaliar seus investimentos e planos de contratação. Joseph Lupton, economista do J.P. Morgan, menciona que o choque das tarifas pode "dobrar seu impacto direto" a partir de perturbações nos mercados financeiros e na confiança do setor privado. O PWBM estimou uma queda de US$ 37,2 trilhões em importações até 2054, o que pode pressionar os fluxos de capital no futuro.
Enquanto isso, a Casa Branca defende as tarifas com base em um estudo de 2024 que previa um crescimento de US$ 728 bilhões e a criação de 2,8 milhões de novos empregos. Contudo, críticos e analistas argumentam que as concessões mencionadas no estudo original não levam em conta as retaliações que já estão afetando o comércio internacional.
A Tax Foundation estabeleceu que essas tarifas representam o maior aumento tributário nos Estados Unidos desde 1993, prevendo US$ 166,6 bilhões em novas receitas em 2025. Essa escalada tarifária demonstra resultados assimétricos: gera receitas fiscais imediatas, enquanto, ao mesmo tempo, complica o comércio global e impacta as recuperações econômicas após a pandemia.
Com a contínua implementação de retaliações e a confiança empresarial em queda, o risco de uma recessão técnica nos EUA até 2026 torna-se uma possibilidade concreta.