A WEG (WEGE3) está prestes a divulgar seu balanço financeiro referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26) na próxima quarta-feira, 29 de abril. O cenário que cerca essa divulgação é marcado por forte volatilidade e mudanças recentes nas projeções do mercado, que se encontra em um verdadeiro "cabo de guerra" de expectativas, conforme análise da XP Investimentos.
Contexto de Mercado e Influências Externas
Nos últimos meses, as ações da WEG sofreram oscilações devido a dados setoriais considerados fracos. Entretanto, a melhora nos resultados de concorrentes internacionais, como a suíça ABB e a americana GE Vernova, trouxe um alento para os investidores. A ABB, por exemplo, reportou uma demanda robusta e diversificada em sua divisão de Transmissão e Distribuição (T&D), com pedidos recordes na divisão de Motion, que cresceu 9% em relação ao ano anterior, e um salto de 44% no segmento de Eletrificação.
Já a GE Vernova apresentou números ainda mais expressivos, com crescimento de 71% em pedidos consolidados na base orgânica, destacando-se o segmento de data centers, que atingiu US$ 2,4 bilhões no trimestre, superando o volume total de 2025. A empresa ressaltou a importância das fábricas no Brasil e no México para atender essa demanda, o que coloca a WEG em uma posição estratégica no mercado.
Desafios e "Ventos Contrários" para a WEG no Curto Prazo
Apesar do otimismo gerado pelos pares internacionais, a XP Investimentos mantém uma visão cautelosa para o desempenho da WEG no 1T26. O relatório destaca que, embora o cenário de demanda sustente a tese de crescimento da empresa no médio prazo, fatores como defasagens de preços, tarifas e câmbio limitam os impactos positivos no curto prazo.
Além disso, a volatilidade nos custos das matérias-primas e as mudanças nas tarifas de importação, especialmente após alterações na Section 232 nos Estados Unidos, que afetaram as exportações de transformadores, são pontos de atenção para o trimestre.
Projeções de Receita e Lucro
As projeções indicam um trimestre mais fraco em termos de crescimento da receita líquida, influenciado pela sazonalidade historicamente menos intensa no início do ano e pela pressão negativa do câmbio. O JPMorgan, por sua vez, colocou a WEG em sua lista de "Observação de Catalisador Negativo", sugerindo que o mercado estaria antecipando uma recuperação que só deve ocorrer em 2027, com potencial de queda de 4% a 6% na receita líquida e no Ebitda.
O Itaú BBA compartilha essa visão, projetando uma queda na receita líquida anual e margens Ebitda estáveis em 22,4%. O banco destaca que a valorização de cerca de 10% do real em relação ao ano anterior representa um desafio para o faturamento no exterior. A estimativa de lucro líquido para o trimestre é de R$ 1,6 bilhão, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.
Impacto da Base de Comparação e Setores
O BTG Pactual ressalta que a WEG enfrentará uma base de comparação mais forte, especialmente devido ao recuo em projetos de geração solar, que foram importantes vetores de crescimento em 2025. Esse fator deve contribuir para a desaceleração do faturamento no início de 2026.
Perspectivas para o Futuro
Para os analistas da XP, o principal desafio da WEG neste balanço será demonstrar a capacidade de manter margens resilientes enquanto aguarda a entrada em operação das novas capacidades produtivas. A expectativa é que a aceleração do crescimento se torne mais evidente a partir de 2027-2028, conforme as expansões das fábricas ganhem escala.
Assim, o balanço do primeiro trimestre de 2026 será um termômetro importante para medir o impacto dos "ventos contrários" recentes e o efeito da concorrência internacional, especialmente da ABB, sobre a performance da WEG no curto prazo.