Vale (VALE3): impacto de conflito no Irã é neutro para minério de ferro, diz diretor

Por Autor Redação TNRedação TN

Vale (VALE3): impacto de conflito no Irã é neutro para minério de ferro, diz diretor

A mineradora Vale (VALE3) afirmou que o impacto do conflito no Irã sobre a oferta global de minério de ferro é neutro, uma vez que a produção de aço na região permanece estável. Essa análise foi feita pelo vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, durante uma conferência com investidores. Nogueira destacou que, apesar da interrupção na produção de aço bruto no Irã, os demais clientes da Vale na região continuam a operar normalmente, utilizando estoques de sucata e pelotas para manter a produção. No Oriente Médio, a produção de aço se mantém estável, mesmo com a contração na produção do Irã. Nogueira mencionou que a planta de pelotização no Bahrein foi desativada devido a dificuldades na recepção de pellet feed, que está sendo redirecionado para outros mercados, principalmente na China e na Ásia. No entanto, essa oferta adicional foi compensada pela falta de exportações de minério de ferro do Irã, resultando em uma visão neutra da Vale sobre o mercado. O executivo também comentou sobre o aumento nos custos de produção, que subiram entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada devido ao conflito e à alta dos preços do petróleo. Esse aumento de custos impactou algumas empresas menos competitivas, mas, ao mesmo tempo, ajudou a sustentar os preços atuais do minério de ferro. A Vale espera que o mercado de pelotas permaneça estável, com uma previsão de que os prêmios das pelotas possam até apresentar uma leve alta no próximo trimestre. Durante a conferência, Nogueira também abordou a situação da produção de aço na China, que está estável, com a utilização dos altos-fornos em cerca de 90%. Ele acredita que as exportações anualizadas de aço pela China devem se manter em torno de 100 milhões de toneladas em 2026, com a infraestrutura e a manufatura compensando um setor imobiliário que continua a enfrentar desafios. Essa perspectiva é importante, pois a China é um dos maiores consumidores de minério de ferro do mundo, e sua demanda influencia diretamente os preços globais. A administração da Vale reafirmou que a demanda no Oriente Médio permanece estável, apesar das incertezas trazidas pelo conflito no Irã. Nogueira enfatizou que a parada para manutenção na Usina de Omã, que foi antecipada, não afetará a produção anual da empresa, apenas o cronograma trimestral. Essa estratégia de manutenção é crucial para garantir a eficiência operacional e a continuidade da produção, especialmente em tempos de volatilidade no mercado. O CFO da Vale, Marcelo Bacci, também comentou sobre os custos de caixa C1 do minério de ferro, que são impactados pela sazonalidade e pelo aumento do custo do petróleo. Ele indicou que o segundo trimestre pode se aproximar dos resultados do primeiro, mas há expectativas de que o guidance de US$ 21 por tonelada seja superado com a melhora do contexto global. Essa expectativa é um sinal positivo para os investidores, pois sugere que a empresa está se adaptando bem às condições de mercado. Em relação ao mercado geral, Bacci observou que o aumento de custos tem variado entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada, afetando principalmente os produtores com custos mais altos. Para a Vale, o aumento foi menor, em torno de US$ 5 por tonelada, o que explica a alta nos preços, já que o mercado precisa de volume e incentivos para a produção. Essa dinâmica de custos é fundamental para entender como as empresas de mineração estão se posicionando em um cenário de preços flutuantes. Por fim, a Vale está otimista quanto ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de minério de ferro, prevendo uma perspectiva de preços equilibrada. A empresa continua a monitorar a situação no Irã e suas implicações para o mercado global, mas até o momento, a análise aponta para um impacto neutro sobre a oferta de minério de ferro. Essa abordagem cautelosa reflete a estratégia da Vale de se manter informada e preparada para responder a quaisquer mudanças no cenário geopolítico que possam afetar seus negócios.
Tags: Vale, minério de ferro, Conflito no Irã, produção de aço, mercado de pelotas Fonte: www.infomoney.com.br