O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou uma alta de 2,73% em abril de 2026, conforme divulgado nesta quarta-feira, 29, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Este aumento é um reflexo direto do impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem gerado pressões inflacionárias significativas no mercado global. O resultado de abril representa uma aceleração considerável em comparação com os meses anteriores, onde o IGP-M havia subido apenas 0,52% em março e 0,24% em abril de 2025. No acumulado do ano, o IGP-M já soma uma alta de 2,93%, o que representa mais da metade dos 4,80% que economistas consultados pelo Banco Central preveem para todo o ano. Nos últimos doze meses, o índice acumula uma variação de apenas 0,61%, o que demonstra uma volatilidade acentuada nos preços, especialmente em um cenário de incertezas geopolíticas. O IGP-M é um indicador crucial, pois serve como referência para o reajuste de diversos contratos, incluindo aluguéis residenciais e comerciais. A alta deste índice pode impactar diretamente o custo de vida da população, uma vez que muitos contratos de aluguel são reajustados com base nesse indicador. A composição do IGP-M é feita a partir de uma média ponderada de três índices principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) foi o que mais contribuiu para a alta geral, com um aumento de 3,49% em abril. A análise detalhada do IPA revela que as empresas estão segurando os aumentos de preços para os consumidores, absorvendo a maior parte das altas ao longo da cadeia de fornecimento. Os bens finais, por exemplo, tiveram um aumento de apenas 0,9% neste mês, enquanto os bens intermediários subiram 2,81% e as matérias-primas brutas dispararam 578%. Outro componente importante do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), também apresentou uma alta significativa de 1,04% em abril, com os materiais de construção liderando os aumentos, com uma alta de 1,4%. A categoria de serviços teve um aumento de 0,97%, enquanto a mão-de-obra subiu 0,61%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que é o último componente do IGP-M, registrou uma alta de 0,94% neste mês. De acordo com a FGV, seis dos oito grupos analisados apresentaram aumentos de preços, com destaque para os gastos com transportes, que encareceram 2,26%. Entre os itens que mais subiram, destacam-se a gasolina, que teve um aumento de 6,3%, e o diesel, que saltou 14,9%. Matheus Dias, economista do FGV IBRE, comentou que os aumentos de preços estão fortemente relacionados ao petróleo e seus derivados. Além do impacto direto sobre os combustíveis, a indústria petroquímica também está sendo afetada, refletindo-se no encarecimento de produtos que vão desde sacolas plásticas até tubos de PVC. A disparada do IGP-M gera preocupações em diversos setores da economia. O índice é a principal referência para o reajuste de uma ampla variedade de contratos, especialmente os de aluguel, e sua alta pode pressionar ainda mais a inflação. A divulgação dos números ocorre em um momento delicado, já que o Comitê de Política Monetária do Banco Central está prestes a anunciar sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de que, apesar da pressão inflacionária, o Banco Central continue sua trajetória de cortes na taxa, com uma possível redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.
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IGP-M, índice de inflação que reajusta aluguéis, salta 2,73% em abril puxado pelo Irã