A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou nesta quinta-feira (30) que o governo local voltou a contatar o Tesouro Nacional para solicitar o aval da União para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O empréstimo, que será contraído pelo Banco de Brasília (BRB), visa cobrir os prejuízos resultantes da aquisição malsucedida do Banco Master. Em uma coletiva de imprensa, Celina afirmou que a equipe do governo já está preparando a documentação necessária para embasar o pedido de ajuda financeira, após uma operação anterior que não obteve sucesso.
Na última quarta-feira (29), o secretário do Tesouro, Daniel Leal, havia declarado que o GDF precisava fornecer mais informações para que o pedido pudesse ser analisado. Ele também ressaltou que a legislação atual permite o aval do Tesouro apenas para estados com capacidade de pagamento (Capag) A e B, enquanto o DF possui uma nota C. Apesar disso, Celina afirmou que não havia recebido um pedido formal de mais informações até a manhã desta quinta-feira, o que levou o GDF a tomar a iniciativa de contatar o Tesouro para esclarecer quais documentos seriam necessários.
Além do pedido de aval, a governadora solicitou que o governo federal organizasse um encontro entre o presidente do BRB, Nelson de Souza, e o secretário da Fazenda do DF, Valdivino do Oliveira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Celina mencionou que ainda não havia recebido uma resposta sobre essa solicitação, mas não descartou a possibilidade de que o encontro ocorra. Essa reunião é vista como uma oportunidade crucial para discutir a situação financeira do BRB e a necessidade de apoio federal.
Após a reunião no Banco Central, onde a governadora se reuniu com autoridades para discutir a situação do BRB, ela tentou tranquilizar os correntistas, afirmando que "o problema do BRB" será resolvido. "Estamos confiantes de que temos soluções e que nenhum correntista precisa se preocupar", disse Celina, embora não tenha detalhado quais seriam essas soluções. Essa afirmação é importante, pois reflete a preocupação do governo em manter a confiança dos clientes do banco e evitar uma corrida aos caixas.
O rombo nas contas do BRB ainda é incerto, uma vez que a instituição não conseguiu apresentar suas demonstrações financeiras dentro do prazo. Até o momento, já foram provisionados R$ 8,8 bilhões para possíveis perdas. Em uma entrevista anterior, o presidente do BRB, Nelson de Souza, destacou que a garantia do Tesouro para o empréstimo seria crucial para evitar que o governo do DF tivesse que recorrer à securitização de imóveis públicos, conforme uma lei aprovada na Câmara Legislativa ainda este ano.
Essa lei permite que o governo utilize ativos públicos como garantia para obter financiamento, mas a utilização dessa estratégia pode gerar preocupações sobre a gestão de bens públicos. A situação financeira do BRB e a necessidade de um empréstimo significativo levantam preocupações sobre a saúde fiscal do Distrito Federal. A governadora Celina Leão, que assumiu o cargo em um momento delicado, está sob pressão para encontrar soluções que não apenas estabilizem o banco, mas também garantam a confiança dos cidadãos e investidores na administração pública.
O empréstimo de R$ 6,6 bilhões é visto como uma medida necessária para evitar um colapso financeiro maior, mas a falta de um aval do Tesouro pode complicar ainda mais a situação. O governo do DF, portanto, se vê em uma corrida contra o tempo para apresentar a documentação exigida e obter a aprovação necessária para seguir adiante com o plano de recuperação financeira do BRB. Essa situação é um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos estados e municípios brasileiros, que lutam para equilibrar suas contas em meio a um cenário econômico desafiador.