PNAD: renda em alta mantém desafios para o BC, dizem economistas

Por Autor Redação TNRedação TN

PNAD: renda em alta mantém desafios para o BC, dizem economistas

A recente divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) pelo IBGE, realizada no dia 30 de abril de 2026, trouxe à tona dados que refletem um mercado de trabalho aquecido no Brasil. A taxa de desemprego, embora tenha subido de 5,8% para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, permanece em patamares considerados baixos. Economistas apontam que essa situação, combinada com o aumento do rendimento dos trabalhadores, gera incertezas sobre a inflação, especialmente no setor de serviços, e sobre as decisões do Banco Central em relação à taxa de juros.

De acordo com a análise de Rodolfo Margato, economista da XP, o nível de ocupação continua em trajetória de alta, mesmo com uma leve desaceleração observada em março. Ele estima que a população ocupada cresceu 0,1% em comparação com fevereiro, totalizando 102,8 milhões de pessoas, marcando o quinto crescimento consecutivo na margem. A força de trabalho também apresentou crescimento, subindo 0,2% em março em relação a fevereiro, alcançando 108,9 milhões de pessoas.

Apesar da leve alta na taxa de desemprego, Margato destaca que o emprego formal se mantém resiliente. O número de ocupações formais aumentou 0,2% em março em relação a fevereiro, totalizando 64,8 milhões de pessoas, com um crescimento de 3,2% nos últimos 12 meses. Em contrapartida, o emprego informal registrou uma queda de 0,3% no mesmo período, totalizando 38 milhões de trabalhadores.

Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é o crescimento da renda real do trabalho, que atingiu um novo recorde histórico. Margato observa que a categoria de Outros Serviços teve um aumento significativo de 11,5% na comparação anual. A massa de rendimento real do trabalho, que considera tanto o nível de ocupação quanto o rendimento médio, avançou 0,5% na margem, com um crescimento de 7,1% em relação a março de 2025.

Leonardo Costa, economista do ASA, ressalta que a queda da informalidade tem contribuído para o aumento do rendimento médio, uma vez que o emprego formal tende a oferecer melhores salários. O rendimento real habitual médio atingiu R$ 3. 722, com um crescimento de 1,6% no trimestre e de 5,5% no ano, o que é considerado uma aceleração relevante, especialmente em um contexto de inflação crescente.

Os economistas também alertam que a combinação de um mercado de trabalho robusto com um aumento da renda e do crédito pode sustentar a demanda no curto prazo. A previsão de Margato é que a taxa de desemprego se mantenha em 5,6% até o final de 2026, enquanto a expectativa de crescimento do PIB real para 2026 é de 2,0%. Por outro lado, André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a PNAD é uma média móvel trimestral e que os impactos de eventos externos, como o conflito no Irã, podem afetar a renda real e o mercado de trabalho nas próximas leituras.

Ele prevê uma moderação no crescimento da renda real devido ao choque do petróleo, com a taxa de desocupação encerrando o ano em 5,6%. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, enfatiza que a elevação da renda do trabalhador impõe desafios à inflação brasileira, especialmente no setor de serviços. Ela acredita que, mesmo com uma possível desaceleração na criação de vagas, o mercado de trabalho continuará aquecido ao longo do ano, com uma taxa de desemprego que deve terminar 2026 pouco acima de 5%.

Rafael Perez, economista da Suno Research, observa que a elevação do desemprego no primeiro trimestre é, em grande parte, sazonal, decorrente do encerramento de vagas temporárias após o pico de contratações de fim de ano. Ele acredita que essa tendência será revertida nos próximos meses, com a massa de rendimentos em alta ajudando a mitigar os efeitos do endividamento das famílias. No entanto, ele alerta que isso também representa um desafio adicional ao Banco Central, que precisa lidar com a demanda e as pressões inflacionárias no setor de serviços.

Em suma, a PNAD revela um cenário de mercado de trabalho apertado, com a taxa de desemprego abaixo do nível neutro e um crescimento significativo da renda real, o que traz tanto oportunidades quanto desafios para a economia brasileira e para as decisões do Banco Central.

Tags: PNAD, Renda, Desemprego, Banco Central, Inflação, Mercado de Trabalho Fonte: www.infomoney.com.br