A Suzano (SUZB3) tem observado uma demanda robusta nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, mesmo diante de um cenário geopolítico desafiador que tem pressionado os resultados financeiros da empresa. No primeiro trimestre de 2026, a companhia reportou um crescimento nas exportações de produtos acabados, incluindo papel e celulose, para esses mercados. O presidente-executivo da Suzano, João Alberto de Abreu, atribui esse aumento à mudança nos fluxos de mercado, destacando que a resiliência no consumo desses produtos está relacionada à sua natureza essencial.
Em uma entrevista recente, Abreu explicou que a demanda por produtos de papel e celulose é menos sensível a eventos globais, o que permite à empresa adotar uma política de preços diferenciada para cada região. "Essa resiliência no consumo desses produtos tem a ver com a natureza dos mesmos", afirmou. Ele também mencionou que a Suzano conseguiu implementar aumentos de preços nos últimos meses na Europa e na América do Norte, embora tenha notado que os clientes na Ásia estão sendo mais cautelosos em relação a novos preços.
Além disso, a Suzano está adaptando sua estratégia de exportação. Com a recente redução da tarifa adicional de 50% para 10% para exportações para os EUA, a empresa voltou a considerar a América Latina como um destino viável para suas mercadorias. Abreu destacou que mercados como Argentina, Uruguai e Paraguai são opções naturais para a ampliação das exportações, dada a proximidade logística.
Essa mudança é vista como uma resposta às novas condições de mercado, e não como uma alteração estratégica, refletindo a flexibilidade da empresa em se adaptar às circunstâncias. "A América Latina é um destino natural", afirmou Abreu, ao comentar sobre a adaptação da empresa às novas tarifas. No entanto, ele enfatizou que essa mudança não representa uma alteração estratégica, mas sim uma resposta às condições de mercado que estão em constante evolução.
A Suzano continua a destinar celulose para mais de 100 países, concentrando-se em regiões fora da América Latina, o que demonstra a amplitude de sua atuação global. Em termos financeiros, a Suzano encerrou o primeiro trimestre com uma carteira de hedge robusta, totalizando US$ 5,6 bilhões. O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Marcos Assumpção, informou que essa carteira deve cobrir entre 40% e 75% da exposição da empresa ao dólar.
Se o câmbio se mantiver em torno de R$ 5,22, a Suzano poderá registrar um ajuste positivo de cerca de R$ 200 milhões no segundo trimestre. Caso o câmbio permaneça próximo de R$ 5, o ajuste pode ser ainda maior, variando entre R$ 400 e R$ 500 milhões. "É uma carteira muito robusta e que funciona muito bem no momento em que temos um câmbio apreciado, que é um risco para a companhia", explicou Assumpção.
Embora essa estratégia represente uma perda operacional, ele ressaltou que a dinâmica é compensada por resultados financeiros positivos. Essa abordagem financeira demonstra a capacidade da Suzano de gerenciar riscos e maximizar oportunidades em um ambiente econômico volátil. A Suzano, que é uma das maiores produtoras de papel e celulose do mundo, continua a se adaptar às mudanças do mercado global, buscando novas oportunidades de crescimento e mantendo sua posição de liderança no setor.
Com uma demanda sólida nos EUA e na Europa, a empresa parece estar bem posicionada para enfrentar os desafios futuros, aproveitando as oportunidades que surgem em um ambiente econômico em constante mudança. A resiliência demonstrada pela Suzano não apenas reflete sua capacidade de adaptação, mas também sua visão estratégica para o futuro, garantindo que a empresa permaneça competitiva e relevante em um mercado global cada vez mais dinâmico.