Petrobras anuncia aumento de 18% no preço do querosene de aviação

Por Autor Redação TNRedação TN

Petrobras anuncia aumento de 18% no preço do querosene de aviação

A Petrobras anunciou um aumento de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), que corresponde a um acréscimo de R$ 1 por litro. O reajuste foi comunicado às distribuidoras na última quinta-feira e entra em vigor a partir de hoje. Este aumento ocorre em um contexto em que empresas do setor esperavam uma alta de cerca de 20%.

O reajuste é variável conforme o polo de venda e a modalidade de contrato. No mês passado, a estatal já havia aumentado o preço em 54,8%, mas implementou um mecanismo para parcelar essa alta. Assim, as distribuidoras que atendem a aviação comercial puderam pagar um aumento reduzido de 18% em abril, com a diferença sendo parcelada em seis vezes, com a primeira prestação começando em julho de 2026, com juros de 1,23% ao mês.

Diferentemente do que ocorre com o diesel e a gasolina, o preço do QAV é ajustado mensalmente, levando em consideração a variação da cotação do petróleo e do dólar. Recentemente, o barril de petróleo atingiu o maior patamar em quatro anos durante as negociações de contratos. Este aumento no preço do QAV é o terceiro do ano.

Em janeiro, houve uma queda de 9,4%, seguida por uma redução de 0,5% em fevereiro. No entanto, em março, o preço subiu 9,4% e, em abril, houve o aumento de 54,8%. Para apoiar o setor aéreo, o governo anunciou, no mês passado, uma Medida Provisória que prevê duas novas linhas de crédito.

A primeira linha, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), terá um valor total de até R$ 2,5 bilhões por empresa, focando na reestruturação financeira. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições habilitadas. A segunda linha destina-se ao capital de giro por seis meses, com R$ 1 bilhão alocado, e as condições financeiras e elegibilidade serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Além disso, o governo também anunciou um decreto que zera o PIS e o Cofins sobre o combustível de aviação, resultando em uma economia de R$ 0,07 por litro. No entanto, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) criticou a decisão da Petrobras, afirmando que, com os preços em vigor a partir de hoje, o QAV acumula um aumento de 100% desde o início da guerra no Oriente Médio. A entidade alertou que a elevação dos custos terá "impactos gravíssimos na conectividade do país".

A Abear também criticou a política da Petrobras de alinhar os preços do QAV com os praticados no exterior. Segundo Juliano Noman, presidente da associação, como quase todo o QAV vendido pela Petrobras é produzido no Brasil, seria possível "diminuir as consequências dos choques externos para a população". Ele argumentou que, ao não segurar os preços em comparação com os praticados no exterior, o Brasil perde a oportunidade de demonstrar a importância de ser um grande produtor de petróleo.

"Tenho a convicção de que seria possível atravessar esse momento com menos impactos à população", completou Noman em comentário ao Globo. Esse cenário de aumento no preço do querosene de aviação reflete não apenas as condições do mercado internacional, mas também as dificuldades enfrentadas pelo setor aéreo nacional, que já vinha lutando para se recuperar de impactos anteriores, como a pandemia de COVID-19 e as crises econômicas subsequentes. A expectativa é que as medidas do governo ajudem a mitigar os efeitos desse novo aumento, mas a insatisfação do setor indica que a situação ainda requer atenção e soluções mais robustas para garantir a sustentabilidade das operações aéreas no Brasil.

Tags: Petrobras, querosene de aviação, preço do QAV, Aumento de Preços, Setor Aéreo, preço do querosene de aviação Fonte: oglobo.globo.com