Sob impacto do caso Master, BC lança plano de integridade e prevê rodízio de funções

Por Autor Redação TNRedação TN

Sob impacto do caso Master, BC lan�a plano de integridade e prev� rod�zio de fun��es. Fonte: Folha de S.Paulo

O Banco Central do Brasil (BC) anunciou, em 7 de maio de 2026, um novo plano de integridade para o biênio 2026-2027, em resposta ao escândalo envolvendo o Banco Master. O plano visa melhorar a governança da instituição e estabelecer regras mais claras para a conduta de seus funcionários. A decisão de implementar essas medidas surge após indícios de corrupção que afetaram dois ex-gestores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que foram cooptados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, implicado em um esquema de corrupção.

Entre as principais inovações do plano, destaca-se a política de rodízio de funções em cargos que possam apresentar conflitos de interesse. Essa medida busca evitar o que é conhecido como "risco de captura", onde supervisores podem favorecer instituições reguladas devido ao longo período de convivência. O BC pretende realizar avaliações internas para identificar quais posições e funções necessitam de rodízio, especialmente na área de fiscalização.

Essa abordagem é fundamental para garantir que a supervisão das instituições financeiras seja feita de forma imparcial e ética. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfatizou a importância de uma governança robusta e a necessidade de medidas que previnam a corrupção. O novo plano de integridade inclui 36 ações organizadas em eixos temáticos, como transparência, ética, comunicação e treinamento, práticas de integridade nos processos de trabalho, tratamento de denúncias, responsabilização e monitoramento contínuo.

Essas ações visam criar um ambiente de trabalho mais seguro e ético, onde os funcionários se sintam encorajados a relatar irregularidades sem medo de retaliações. Além disso, o BC planeja revisar seu código de conduta, que não passa por atualizações significativas desde 2008. A nova versão do código deve ser apresentada à diretoria colegiada em breve e incluirá diretrizes mais claras sobre os investimentos dos servidores em instituições reguladas pelo BC.

A expectativa é que a atualização do código ocorra em um ou dois meses, após consulta interna que gerou mais de cem sugestões dos servidores. Essa revisão é vista como uma oportunidade para alinhar as práticas do BC com as melhores práticas de governança e integridade. O plano de integridade também prevê a criação de um termo de compromisso com a integridade, que poderá ser aplicado tanto internamente quanto em instituições reguladas.

Essa iniciativa visa facilitar a aplicação de restrições em casos de desobediência às normas estabelecidas. A implementação desse termo é uma forma de reforçar a responsabilidade dos servidores e das instituições sob supervisão do BC em manter altos padrões éticos. A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu um processo administrativo disciplinar para investigar a conduta dos servidores envolvidos no caso Master.

Se considerados culpados, eles poderão ser expulsos do BC e também enfrentam investigações na esfera criminal. O BC, por sua vez, defende que sua governança funcionou adequadamente, evitando favorecimentos ao ex-banqueiro Vorcaro, como a rejeição de um negócio com o Banco de Brasília e a liquidação do conglomerado em novembro de 2025. Essa defesa é crucial para restaurar a confiança do público na instituição, que desempenha um papel vital na estabilidade econômica do país.

O novo plano de integridade é um passo significativo para restaurar a confiança na instituição e garantir que práticas corruptas não se repitam. A implementação de rodízio de funções e a revisão do código de conduta são medidas que visam criar um ambiente mais transparente e ético dentro do Banco Central, refletindo um compromisso com a integridade e a responsabilidade pública. A expectativa é que essas ações não apenas previnam futuros escândalos, mas também promovam uma cultura de ética e transparência que beneficie todo o sistema financeiro brasileiro.

Tags: Banco Central, plano de integridade, Banco Master, Corrupção, Gabriel Galípolo Fonte: redir.folha.com.br