A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) está se aproximando de sua conclusão, mas já apresenta um panorama que pode ser considerado ligeiramente decepcionante, conforme análise da equipe de estratégia do Itaú BBA. Até o momento, 110 companhias divulgaram seus resultados, representando 62,7% da capitalização de mercado sob cobertura do banco. Dentre essas, apenas 32,1% foram classificadas como positivas, enquanto 44,3% apresentaram resultados negativos, refletindo um cenário desafiador para muitos setores.
A análise do Itaú BBA destaca que, embora a maioria das empresas tenha apresentado números próximos das estimativas, o peso maior ficou concentrado nos resultados negativos. A taxa beat/miss, que mede a proporção de empresas que superaram ou não as expectativas, ficou em 1,09, um número abaixo dos níveis registrados em trimestres anteriores. Isso indica uma perda de fôlego na dinâmica de surpresas positivas que costumava caracterizar as temporadas de balanços anteriores.
Quando se observa o desempenho das empresas, 43,7% superaram as estimativas de lucro líquido, enquanto 40,2% ficaram abaixo do esperado. O ambiente ainda é desafiador, especialmente para as margens de lucro em alguns setores. No que diz respeito ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), o quadro foi um pouco mais favorável, com 31,6% das companhias superando as projeções, contra 10,5% que ficaram abaixo.
Setorialmente, o desempenho foi desigual. Setores como óleo e gás, transporte e logística, além de algumas empresas ligadas ao consumo, mostraram resultados mais resilientes, com uma maior frequência de surpresas positivas. Em contrapartida, setores como utilities (energia e saneamento), bancos e parte do varejo concentraram revisões negativas e reações mais cautelosas dos analistas.
O Itaú BBA observa que empresas de grande peso no índice ajudaram a puxar a percepção geral para baixo, mesmo com uma dispersão relevante entre os setores. A equipe do Itaú BBA também ressalta que o comportamento das ações tem sido consistente com o histórico: companhias que superaram expectativas tendem a apresentar um desempenho relativo melhor após a divulgação, enquanto aquelas que decepcionaram sofrem ajustes mais rápidos nos preços. Esse padrão reforça o caráter seletivo da atual temporada, em um ambiente onde os investidores continuam exigentes quanto à qualidade dos resultados.
Apesar do tom mais fraco até aqui, o banco destaca que a temporada ainda não terminou. Cerca de 73 empresas ainda devem divulgar seus números até o encerramento do calendário, incluindo nomes relevantes como Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Nubank (BDR: ROXO34). O desempenho desses balanços será crucial para definir se o 1T26 terminará apenas morno ou se pode haver uma recuperação na reta final.
No geral, a maioria dos investidores vê a temporada do 1º trimestre de 2026 como neutra. Quando questionados sobre a temporada de resultados e seu impacto nas estimativas de lucros, 60% dos investidores responderam com uma perspectiva neutra e sem revisões de lucros, seguidos por 25% que se mostraram otimistas, mas também não previram revisões de lucros. Apenas 7% acreditam que pode ser uma temporada de superação das expectativas e revisão para cima, enquanto 9% acham que os números podem ficar abaixo das expectativas.
A expectativa é que as divulgações restantes possam trazer alguma surpresa positiva, mas o cenário atual já indica um primeiro trimestre desafiador para o mercado. Os investidores devem continuar atentos às próximas divulgações e às reações do mercado, que podem influenciar as decisões de investimento nos próximos meses.