A China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos anualmente até 2028, conforme anunciado pela Casa Branca. O acordo foi revelado após uma cúpula de dois dias entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, que ocorreu em maio de 2026. Este compromisso surge em um contexto de tensões comerciais entre os dois países, que têm se intensificado nos últimos anos.
Durante a cúpula, a Casa Branca divulgou um documento que detalha o acordo, mas não forneceu informações específicas sobre tarifas. O Ministério do Comércio da China também emitiu um comunicado, afirmando que ambos os países estão adotando medidas para reduzir tarifas sobre diversos produtos. No entanto, Trump declarou que as tarifas não foram um tema discutido durante suas reuniões com Xi Jinping, apesar de reconhecer que a China está pagando tarifas substanciais.
A visita de Trump a Pequim foi a primeira de um presidente dos EUA à China em quase uma década e foi marcada por um tom positivo nas relações bilaterais. No entanto, compromissos de compra anteriores não foram cumpridos, levantando dúvidas sobre a viabilidade do novo acordo. Em 2020, um acordo negociado por Trump previa que a China comprasse US$ 200 bilhões em produtos americanos ao longo de dois anos, mas a pandemia de Covid-19 e críticas sobre a viabilidade das metas dificultaram o cumprimento desse compromisso.
A nova promessa de compras anuais de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas é adicional aos compromissos de compra de soja que a China já assumiu no outono anterior. Recentemente, a China começou a importar soja do Brasil, que é mais barata, após cumprir um volume inicial de compras dos EUA acordado na trégua comercial firmada no ano anterior entre Washington e Pequim. Além disso, após a cúpula, a China restabeleceu o acesso da carne bovina americana ao mercado, renovando os registros expirados de mais de 400 instalações frigoríficas.
O país também está trabalhando com reguladores americanos para restabelecer as importações de carne de aves dos Estados Unidos. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois países podem encontrar soluções para os problemas por meio do diálogo e da cooperação. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, mencionou que os dois países discutiram a criação de um "Conselho de Comércio" que poderia reduzir tarifas sobre pelo menos US$ 30 bilhões em produtos não essenciais.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, citou fogos de artifício como um exemplo de produtos que continuariam a ser importados da China, independentemente das tensões comerciais. A China também expressou preocupações sobre a retenção automática de produtos lácteos e pescados chineses, além de restrições à exportação de plantas ornamentais para os EUA. Atualmente, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA retém produtos lácteos da China devido à presença de substâncias derivadas de melamina, além de alguns produtos aquáticos por causa do uso de medicamentos não aprovados.
Os EUA, por sua vez, afirmaram que a China atenderá às preocupações americanas relacionadas à escassez de oferta e às restrições de exportação ligadas às terras raras e a outros minerais críticos. O documento divulgado pela Casa Branca também reiterou que ambos os líderes concordaram que o Irã não pode ter uma arma nuclear e defenderam a reabertura do Estreito de Hormuz. A cúpula entre Trump e Xi Jinping foi um passo importante para tentar estabilizar as relações comerciais entre os dois países, que têm sido marcadas por tensões e incertezas.
O futuro das relações comerciais entre os EUA e a China dependerá da capacidade de ambos os lados de cumprir os compromissos assumidos e de encontrar soluções para as questões pendentes.