As taxas do Tesouro Direto abriram em alta nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, impulsionadas por dois fatores principais: no exterior, os rendimentos dos Treasuries americanos atingiram os maiores níveis em quase duas décadas; no Brasil, o risco político eleitoral e o impasse no Estreito de Ormuz continuam a adicionar prêmio à curva doméstica. Essa combinação de fatores resultou em uma leve variação nas taxas dos títulos prefixados, levando alguns papéis a se aproximarem de seus maiores patamares em 12 meses. Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 avançou levemente para 14,33%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 saltou para 14,40%.
Ambas as taxas estão muito próximas das máximas anuais que foram atingidas na última sexta-feira, 15 de maio. Nos títulos de inflação, a abertura também foi para cima em toda a curva, com o Tesouro IPCA+ 2040 avançando 3 pontos-base para 7,33%, e o IPCA+ 2050 subindo de 7,01% para 7,05%. O IPCA+ 2060 com juros semestrais foi negociado a 7,23%, ante 7,21% na véspera.
O pano de fundo global é de forte pressão sobre os títulos soberanos em todo o mundo. Os rendimentos dos títulos de 30 anos do Tesouro americano superaram o patamar psicológico de 5%, avançando para 5,125%, o nível mais alto desde junho de 2007. Essa pressão é resultado de uma onda de vendas que se estendeu além dos Estados Unidos, com os rendimentos dos gilts britânicos de 30 anos atingindo o nível mais alto desde 1998 e os títulos do governo japonês de 30 anos alcançando seu maior patamar histórico.
A alta global dos juros foi desencadeada pela aceleração da inflação americana, diretamente ligada ao choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. A inflação ao consumidor subiu para 3,8% no mês passado, a leitura mais alta desde maio de 2023. Os dados do índice de preços ao produtor mostraram uma alta de 1,4% mês a mês, o aumento mais acentuado desde 2022, impulsionado pelos custos mais altos de energia.
Como resultado, os mercados eliminaram completamente qualquer possibilidade de um corte nas taxas do Federal Reserve (Fed) este ano e passaram a considerar uma crescente probabilidade de uma elevação antes do final do ano. O Barclays alertou seus clientes que os rendimentos dos Treasuries podem ultrapassar os 5,5%, nível visto pela última vez em 2004. No cenário doméstico, a pressão tem origem dupla.
Uma pesquisa da Atlas para a Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro perdeu terreno nos cenários de primeiro turno após um episódio recente, reforçando a incerteza eleitoral que vem sendo precificada desde a semana passada. Além disso, o Estreito de Ormuz continua sem uma normalização efetiva do tráfego, mantendo o prêmio de risco geopolítico embutido nos vencimentos mais longos. O Ibovespa futuro caiu no mesmo ambiente, e o dólar opera em leve alta, contribuindo para sustentar as taxas em patamares elevados.
As taxas do Tesouro Direto às 9h25 desta terça-feira (19) são as seguintes: - **Tesouro Selic 2031**: SELIC + 0,0813% (vencimento em 01/03/2031) - **Tesouro Prefixado 2029**: 14,08% (vencimento em 01/01/2029) - **Tesouro Prefixado 2032**: 14,33% (vencimento em 01/01/2032) - **Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037**: 14,40% (vencimento em 01/01/2037) - **Tesouro IPCA+ 2032**: IPCA + 7,84% (vencimento em 15/08/2032) - **Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037**: IPCA + 7,59% (vencimento em 15/05/2037) - **Tesouro IPCA+ 2040**: IPCA + 7,33% (vencimento em 15/08/2040) - **Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045**: IPCA + 7,35% (vencimento em 15/05/2045) - **Tesouro IPCA+ 2050**: IPCA + 7,05% (vencimento em 15/08/2050) - **Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060**: IPCA + 7,23% (vencimento em 15/08/2060) Essas movimentações no mercado de títulos refletem não apenas a dinâmica interna do Brasil, mas também a interconexão com os mercados globais, onde as decisões de política monetária e os eventos geopolíticos têm um impacto significativo sobre as taxas de juros e a confiança dos investidores.