Ministro rebate críticas do agronegócio de “terra arrasada” para produtores

Por Autor Redação TNRedação TN

Ministro rebate críticas do agronegócio de “terra arrasada” para produtores

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu às críticas de parlamentares da bancada do agronegócio e opositores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmam que o setor agrícola enfrenta uma situação de "terra arrasada" devido ao aumento da inadimplência no campo. Em uma recente entrevista, Durigan reconheceu que houve um aumento na inadimplência, mas destacou que 94% dos produtores estão em dia com suas contas, o que contrasta com a narrativa alarmista que tem circulado entre os críticos. Recentemente, o Banco do Brasil divulgou um relatório indicando um aumento de 6,22% nas dívidas não pagas no primeiro trimestre deste ano.

Este dado, embora preocupante, não reflete a totalidade da situação, uma vez que a maioria dos agricultores ainda mantém suas obrigações financeiras em dia. Além disso, um projeto de lei que visa renegociar dívidas rurais utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o que gerou preocupações no governo sobre o impacto financeiro dessa medida. Dario Durigan enfatizou que, embora exista um aumento na inadimplência, a maioria dos agricultores está lidando com dívidas antigas, muitas das quais remontam ao período da pandemia, quando os custos de insumos aumentaram significativamente.

"Houve um crescimento considerável [da inadimplência], mas 94% do agronegócio está em dia. Não se trata de dizer que o agronegócio é terra arrasada ou uma grande calamidade. De fato, há um grupo de agricultores que pode estar com dificuldade", afirmou o ministro, ressaltando a resiliência da maioria dos produtores.

O ministro também criticou a proposta de incluir débitos privados fora do Plano Safra no pacote de renegociação, que envolveria operações com bancos privados, cerealistas e tradings. Durigan argumentou que essa abordagem extrapola o papel de uma política pública e poderia gerar um impacto insustentável nas contas do governo, estimando que o custo poderia chegar a R$ 800 bilhões ao longo de 13 anos. Essa cifra alarmante levanta questões sobre a viabilidade de tais medidas e suas consequências a longo prazo.

"A pretexto de querer ajudar o agro, renegociar dívidas pode ser um tiro no pé", alertou Durigan. Ele ressaltou que uma renegociação ampla das dívidas poderia comprometer futuras edições do Plano Safra, que é o principal programa de financiamento agrícola do país. O governo está buscando formas de apoiar os produtores em dificuldades sem criar um custo permanente que afete os próximos anos, uma tarefa que exige um equilíbrio delicado entre ajuda imediata e sustentabilidade financeira.

Durigan mencionou que havia um acordo prévio entre a Fazenda e os parlamentares sobre o texto do projeto, mas que esse acordo não foi respeitado na votação da comissão do Senado. Sem o aval do governo, a equipe econômica está disposta a discutir vetos ou novas medidas caso a proposta avance no Congresso. Essa falta de alinhamento entre o governo e o legislativo pode complicar ainda mais a situação, levando a um impasse que pode afetar a confiança dos investidores e a estabilidade do setor.

"Eu falei com o presidente [do Senado] Davi Alcolumbre. Não tenho condição de fazer uma grande renegociação, estabelecendo teto de taxa de juros para todos os bancos do país. Eu pedi para que ele não caminhasse com a votação em plenário antes de voltar a falar comigo", afirmou Durigan, enfatizando a necessidade de diálogo contínuo para evitar decisões precipitadas.

Sobre o novo Plano Safra, o ministro disse que o governo ainda está finalizando os números do programa e reconheceu que os juros elevados estão pressionando o volume de recursos disponíveis. Apesar disso, a expectativa da equipe econômica é anunciar o pacote nas próximas semanas, mantendo a estratégia de expansão do crédito agrícola adotada nos últimos anos. A situação do agronegócio no Brasil continua a ser um tema de debate intenso, especialmente em um momento em que o setor enfrenta desafios significativos.

A resposta do ministro Durigan reflete a complexidade da situação e a necessidade de um equilíbrio entre a renegociação de dívidas e a sustentabilidade financeira do governo e dos produtores.

Tags: Ministro, Dario Durigan, Agronegócio, Inadimplência, produtores, RenegociaçãoDeDívidas, Plano Safra Fonte: www.gazetadopovo.com.br