Identificando Sinais de Infarto Durante Exercícios Físicos
Praticar atividades físicas é essencial para a saúde, trazendo benefícios significativos tanto para o corpo quanto para a mente. No entanto, durante o treino, o organismo pode manifestar sinais de mal-estar que é importante saber identificar. Sinais de infarto podem se apresentar durante a prática esportiva e reconhecer esses sintomas antecipadamente é fundamental para evitar complicações.
A equipe do gshow conversou com cardiologistas sobre como distinguir essas manifestações e o que fazer em situações de emergência. Vitor Bruno Teixeira de Holanda, médico cardiologista e coordenador do serviço de emergência cardiológica do Hospital das Clínicas Gaspar Vianna, destaca a dor no peito como um dos principais sinais de alerta. Essa dor é geralmente descrita como um aperto, que pode surgir mesmo após uma intensa atividade física.
Thaíssa Monteiro, cardiologista do Grupo Valsa Saúde, comenta que, durante os exercícios, os sinais podem ser sutis, mas perigosos. Aqui estão os principais sintomas que devem ser observados:
- Falta de ar desproporcional ao esforço
- Tontura intensa ou sensação de desmaio
- Suor frio e excessivo, sem relação com o calor do ambiente
- Náusea ou vômito súbitos
- Cansaço extremo e incomum, diferente do desgaste habitual do treino
- Sensação de queimação ou ardência, que pode ser confundida com problemas gástricos
- Dores em aperto no queixo ou nos ombros
Thaissa ressalta que o sinal mais crítico é quando qualquer um dos sintomas aparece de forma súbita, intensa ou diferente das sensações que a pessoa já experienciou anteriormente. Diferenciar dor muscular comum de dor cardíaca pode ser desafiador. De acordo com Vitor, as dores musculares tendem a aumentar ao aplicar pressão no local, enquanto a dor anginosa não apresenta alívio em diferentes posições.
Em caso de suspeita de infarto, a primeira atitude deve ser procurar uma emergência imediatamente. Não adiar a ida ao hospital é crucial para o prognóstico, já que o atendimento rápido aumenta significativamente as chances de recuperação. Os médicos recomendam que, se houver dúvida, é melhor tratar a situação como um infarto, já que um atendimento precoce pode evitar arrependimentos futuros.
A preparação dos ambientes de treino é também de suma importância. Profissionais de Educação Física devem ser capacitados para reconhecer e agir em situações de emergência, e as academias devem contar com desfibriladores automáticos externos (DEA) em locais visíveis e de fácil acesso.
Após um infarto, muitas pessoas se perguntam se podem voltar a treinar. Vitor explica que sim, e que no hospital em que atua, a retomada das atividades físicas ocorre precocemente, muitas vezes cerca de 12 horas após o tratamento. Essa abordagem, segundo ele, ajuda na recuperação e diminui o risco de novos episódios de infarto.
Os cuidados ao retornar à rotina de exercícios incluem:
- Manter a pressão arterial e a frequência cardíaca controladas
- Evitar, nos primeiros dias, exercícios intensos, como futebol, corrida e treinos funcionais
- Priorizar atividades leves a moderadas, como caminhada e musculação orientada
- Observar atentamente a resposta do corpo durante o exercício
- Não retomar a prática por conta própria, sem avaliação e supervisão médica
- Manter mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, controle do estresse, abandono do tabagismo e sono de qualidade
Com informação e atenção aos sinais do corpo, é possível praticar exercícios com mais segurança e cuidar da saúde do coração a longo prazo.