Processo que acusava Spotify de inflar streams de Drake é arquivado pela Justiça americana

Por Autor Redação TNRedação TN

Processo que acusava Spotify de inflar streams de Drake é arquivado pela Justiça americana - Foto: Rolling Stone Brasil

Um processo judicial que acusava o Spotify de impulsionar artificialmente os streams de Drake e outros artistas foi arquivado por um juiz federal americano. A ação, movida por Genevieve Capolongo em novembro do ano passado, foi encerrada ‘with prejudice’ (expressão jurídica que indica que o caso não pode ser reaberto com as mesmas alegações). Não houve fase de descoberta de provas no processo.

O arquivamento se baseou num detalhe contratual: ao se cadastrar no Spotify, Genevieve Capolongo havia assinado um acordo de arbitragem que abria mão do direito de processar a plataforma na Justiça comum, redirecionando eventuais disputas para arbitragem privada. Segundo o juiz, esse acordo é juridicamente válido e suficiente para encerrar o caso sem análise do mérito. A ação alegava que o programa Discovery Mode do Spotify, que permite que gravadoras paguem para ter suas músicas recomendadas com mais frequência, configuraria uma forma ilegal de payola, prática proibida de pagamento para impulsionar músicas sem divulgação ao público.

Genevieve Capolongo afirmava que os usuários eram enganados por playlists que pareciam orgânicas, mas eram, na prática, compradas por grandes gravadoras. Além de Drake, o processo citava Justin Bieber como exemplo. Em resposta à situação, o Spotify se pronunciou, afirmando: “Não comentamos litígios pendentes.

No entanto, o Spotify não se beneficia de forma alguma do desafio da indústria com streams artificiais. Investimos pesadamente em sistemas de combate a essa prática, removendo streams falsos, retendo royalties e aplicando penalidades”. A plataforma também mencionou um caso recente em que um fraudador foi indiciado por roubar US$ 10 milhões de serviços de streaming, dos quais apenas US$ 60 mil vieram do Spotify, segundo a empresa.

O processo de Genevieve Capolongo não foi o único arquivado com menção a Drake em novembro passado. No mesmo período, RBX entrou com outra ação contra o Spotify em nome de artistas e detentores de direitos musicais que ganham receita na plataforma, citando a música de Drake como exemplo de suposta fraude de streams. Esse segundo processo segue em andamento.

Enquanto isso, Drake se prepara para lançar Iceman, seu nono álbum solo, em 15 de maio. O artista continua a ser uma figura central na indústria musical, e a polêmica em torno de sua presença nas playlists do Spotify levanta questões sobre a transparência e a ética nas práticas de streaming. A situação também destaca a crescente preocupação com a manipulação de streams e a integridade das plataformas de música digital.

Com a popularidade de artistas como Drake e Justin Bieber, o debate sobre a legitimidade das recomendações de músicas e a influência das gravadoras se torna cada vez mais relevante. A indústria musical observa atentamente como esses casos se desenrolam, pois podem ter implicações significativas para o futuro do streaming e das práticas de marketing musical. Além disso, a questão da arbitragem em disputas contratuais levanta um ponto importante sobre os direitos dos consumidores e a capacidade de contestar práticas que possam ser consideradas injustas.

O resultado deste caso pode influenciar como os usuários e artistas interagem com plataformas de streaming no futuro, especialmente em um cenário onde a transparência e a ética são cada vez mais exigidas pelos consumidores. Com a decisão do juiz, o Spotify pode respirar aliviado, mas a indústria musical continua a enfrentar desafios relacionados à autenticidade e à justiça nas práticas de streaming. A atenção do público e dos artistas sobre essas questões pode moldar o futuro das plataformas de música digital e a forma como elas operam.

Tags: Spotify, Drake, Processo, streams, Justiça Fonte: rollingstone.com.br