World Athletics nega transferência de nacionalidade de atletas para a Turquia
A World Athletics anunciou nesta quinta-feira (16) a rejeição de pedidos de troca de nacionalidade de 11 atletas de quatro países - Quênia, Jamaica, Nigéria e Rússia - para a Turquia. A entidade responsável por administrar o atletismo em todo o mundo alegou uma estratégia coordenada de recrutamento liderada pelo governo da Turquia para não dar sequência às solicitações que envolvem, por exemplo, cinco medalhistas olímpicos.
O processo identificou uma ação estruturada por um clube estatal turco para financiar contratos lucrativos e, assim, atrair atletas para representar o país em competições, como os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028. Apesar de ressaltar que os esportistas não estão autorizados a defender a bandeira turca, a federação afirma que não há impedimento para atuações em clubes ou para morar e treinar no país.
Entre os afetados estão o jamaicano Rojé Stona - medalhista de ouro no lançamento de disco em Paris 2024, a queniana Brigid Kosgei - prata na maratona em Tóquio 2020, o jamaicano Rajindra Campbell - bronze no arremesso de peso em Paris 2024, o queniano Ronald Kwemoi - prata nos 5.000m em Paris 2024, e o jamaicano Wayne Pinnock - prata no salto em distância em Paris 2024. A lista conta ainda com atletas em ascensão na modalidade, como Jaydon Hibbert (JAM) e Favour Ofili (NGR), que contam com participação em jogos olímpicos, além de Brian Kibor (KEN), Catherine Relin (KEN), Nevin Jepkemboin (KEN) e Sophia Yakushina (RUS).
Para o Painel de Revisão de Nacionalidade do órgão, aprovar os pedidos comprometeria os princípios fundamentais das regras de elegibilidade, como salvaguardar a credibilidade da competição internacional, incentivar as federações membros a investir no desenvolvimento de talentos nacionais e manter a confiança entre os atletas de que as seleções nacionais não são formadas principalmente por meio de recrutamento externo.
"Embora a cidadania seja um ponto de partida, critérios adicionais são aplicados para garantir uma conexão genuína entre o atleta e o país que ele representa, além de proteger a integridade, credibilidade e desenvolvimento do esporte globalmente", afirma a World Athletics em comunicado.
Entre as regras estabelecidas para mudanças de nacionalidade está o prazo de três anos entre a troca de bandeira e a estreia internacional representando o novo país, além da demonstração de raízes em sua nova pátria nesses mesmos três anos.